Na noite de quarta-feira, em sessão do Senado Federal Kátia Abreu e Marina Silva travaram um embate. Kátia Abreu defendeu a invasão de terras públicas. Marina Silva abandonou a timidez dos seus tempos de ministra e conclamou seus pares a ajudarem a construir um Brasil bem diferente do seu passado. Leia trechos dos dois discursos. Mas se você tiver tempo, faça download do áudio completo e do texto integral das duas falas. Kátia Abreu (DEM – TO) “Agora, é muito simples dizer que, na Amazônia, estamos fazendo um favor, que estamos dando terras para as pessoas. Eu quero perguntar ao Senador Mercadante, com todo respeito que lhe tenho: como é que o senhor acha que foi ocupado São Paulo? Quando começou a cadeia dominial nas propriedades rurais de São Paulo? Toda cadeia dominial se origina no Estado, na União, no poder público federal ou estadual! A diferença é que São Paulo tem mais de 400 anos de ocupação e a região Norte, não. Mas lá também começou São Paulo. E, em São Paulo, como é hoje lá, as terras também foram do poder público. Não é só na Amazônia, não. No Rio Grande do Sul, na ocupação, foram dadas terras para estrangeiros, para alemães, para italianos. Foi assim que o Brasil inteiro foi ocupado, desde as sesmarias depois da Independência. O que é isso? Nós não podemos impor a quem é dono da terra prazo para que possa vendê-la. Nós não vivemos no autoritarismo. Nós não estamos vivendo num regime comunista. Nós vivemos numa democracia, em que as pessoas são livres para vender o seu patrimônio e o seu bem. O direito de propriedade é cláusula pétrea na nossa Constituição. Áudio - Trecho Kátia Abreu

Marina Silva (Bloco/PT – AC) “Eu sei que o amigo e companheiro Presidente Lula tem muitos neocompanheiros, mas aqui vai o pedido de uma velha companheira, de 30 anos de luta. Não estou falando isso para tocar emocionalmente ninguém. Eu só peço a compreensão para algo que, para mim, é visceral. É algo muito significativo! Em memória do Wilson Pinheiro, por quem foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional; em memória de Chico Mendes, por quem chorou embaixo de uma chuva forte na Amazônia, quando ele foi assassinado por combater a grilagem, por combater o uso e o esbulho das terras da Amazônia, nós vamos pedir para que ele vete. Eu farei uma carta pública, se nós não repararmos aqui, para que ele vete...(Palmas no plenário e nas galerias.)”

Áudio - Trecho Marina Silva Ata integral (.pdf) Áudio Kátia Abreu Áudio Marina Silva