Adriano Augusto, do Greenpeace Brasil, está na Alemanha contribuindo com a Campanha de Florestas que busca a proteção da faia europeia. (©Topias Salonen/Greenpeace)

 

Estar no acampamento em Spessart, no sudoeste da Alemanha, e ter a chance de trabalhar pela proteção das florestas alemãs têm sido uma experiência importante pessoal e profissionalmente. Tenho trabalhado com o grupo que está nas florestas buscando e medindo as árvores para encontrar as que têm mais de 50 centímetros de diâmetro. Uma vez que percorremos uma determinada área e identificamos quais são as que pertencem à faia europeia, um segundo grupo utiliza um equipamento de GPS para marcar sua exata localização.

Nós medimos as árvores para poder reconhecer as espécies e também tentamos identificar se há ou não a possibilidade da árvore abrigar pássaros ou outros animais. Tem sido ótimo trabalhar com o mapeamento das florestas, possibilitar a criação de mapas que mostram onde estão as árvores antigas e ajudar na preservação dessas áreas.

A importâcia do que o grupo tem feito aqui é mostrar a importância destas áreas para a biodiversidade da região e para o combate do aquecimento global uma vez que estas árvores mais antigas conseguem estocar mais CO2, um dos principais gases do efeito estufa, do que as mais novas.

A rotina no acampamento não varia muito. Acordamos cedo todos os dias, tomamos o café da manhã e nos reunimos para decidir qual área será marcada e para dividir os grupos que medem as árvores e os que seguem com o GPS para marcar os locais onde as espécies que procuramos foram encontradas.

Fazemos uma pausa para o almoço que temos que preparar durante o café da manhã já que perderíamos muito tempo se voltássemos ao acampamento para comer. Geralmente, marcamos um ponto de encontro para o almoço e a refeição é feita na própria floresta.

Retornamos ao acampamento às 17 horas e engana-se quem pensa que o trabalho acaba aí, ainda temos as tarefas de limpeza. Todos no acampamento podem colocar seu nome em um quadro de tarefas que indica quem vai limpar o chão, os banheiros, os chuveiros e lavar as louças. Jantamos e ainda temos mais uma reunião para discutirmos tudo o que foi feito durante o dia.

O tempo tem mudado bastante. Passamos de dias nublados com temperaturas entre 10°C e 16°C para dias chuvosos entre 2°C e 9°C. Hoje, tivemos neve e a temperatura oscilando entre - 6°C e 0°C, o que dificulta um pouco o trabalho na floresta.

Tudo que tenho feito aqui, junto com outras pessoas da Alemanha, Canadá, Finlândia e Rússia, só me faz ter certeza de que a luta pela proteção das florestas e do meio ambiente não têm fronteiras. Essa é uma luta global da qual todos podem participar, não importando em qual lugar do mundo estão uma vez que todos sentirão as consequências das mudanças climáticas. Além disso, tenho certeza de quando voltar ao Brasil poderei usar o que aprendi aqui para defender o Desmatamento Zero da Amazônia.

*Adriano Augusto é do Greenpeace Brasil

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