As discussões sobre um novo modelo econômico que integre conservação e produção avançam e os casos bem-sucedidos se acumulam. Mas volta e meia alguém escorrega - e feio - e traz de novo à baia o retrógrado pensamento de que floresta boa é floresta derrubada.

A última pérola veio da senadora e presidente da Conferederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Kátia Abreu. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, em uma reportagem sobre o relatório "A Farra do Boi na Amazônia" lançado pelo Greenpeace, ela falou o seguinte:

Un argument qui heurte la meilleure avocate de l'agrobusiness, la sénatrice du parti conservateur Démocrates, Katia Abreu : "Ce n'est pas un crime de produire pour exporter, s'insurge celle qui préside aussi la Confédération nationale de l'agriculture, car nous n'avons pas détruit mais substitué la couverture végétale par des aliments." Son argument choc : l'agrobusiness représente un tiers du produit intérieur brut et des exportations du pays.

Em português: "Não é um crime produzir para exportar pois nós não destruimos (a floresta), mas substituimos a cobertura vegetal pela de alimentos."

Para a senadora, o que importa é ser verdinho: um mar de pasto é a mesma coisa que um mar de árvores. E a biodiversidade? E o estoque de carbono? E o impacto no solo? E... ok, vou parar por aqui. Não à toa ela recebeu a alcunha do Greenpeace de miss desmatamento.