Nos meses de março e abril de 2013, Mato Grosso liderou a lista do desmatamento na Amazônia, enquanto o Pará estava coberto por nuvens (© Karla Gachet / Panos / Greenpeace).

 

Na coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira para apresentar os dados do desmatamento na Amazônia para março e abril, o diretor de proteção ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, voltou a se dizer confiante de que o Brasil vai zerar a tendência de aumento da destruição florestal até julho deste ano. No entanto, no acumulado de agosto de 2012 a abril de 2013, o que vemos é um aumento de 15% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os índices do DETER, o sistema de detecção que indica a tendência do desmatamento no país, mostraram que as áreas de alerta de desmatamento e degradação somaram mais 175 quilômetros quadrados – área equivalente a 25 mil campos de futebol de floresta – somente nos últimos dois meses.

Da área total apresentada para os últimos dois meses, 147,07 quilômetros quadrados foram detectados apenas no mês de abril, sendo a sua maioria (62,53 quilômetros quadrados) no Mato Grosso, Estado que lidera a lista dos maiores desmatadores. Logo atrás vem Rondônia, com 48,41 quilômetros quadrados.

Entre novembro e abril, época de chuvas na Amazônia, a observação por satélites se torna mais difícil devido à intensidade de nuvens. Por isso, os alertas podem ficar menos visíveis. O Pará foi um exemplo disso. Considerado um dos que mais desmatam, o Estado não pôde ser analisado, pois apresentou 88% de cobertura de nuvens.

De fato, esse número já foi mais expressivo em períodos anteriores, mesmo assim, continua demonstrando uma tendência de aumento. A pergunta é: por que será que voltou a crescer, depois da medição do menor índice histórico, no último mês de dezembro? A resposta está aparente aos olhos de quem quiser ver: o conjunto de ações que o governo federal tem bancado mostra de forma clara o modelo de desenvolvimento escolhido para o país, que ainda aceita o desmatamento.

“O governo tem colecionado uma série de atitudes que passam o recado, para quem desmata a floresta, de que essa é uma prática aceitável”, afirmou Kenzo Jucá, da Campanha Amazônia do Greenpeace. Para ele, a posição que o governo federal tem tomado quanto à maior riqueza do país não deve ser aceita pela sociedade brasileira, verdadeira herdeira desse patrimônio florestal.

“Temos um pacote contra as florestas que pode nos fazer perder a guerra contra o desmatamento: a aprovação do novo Código Florestal deixou de punir os criminosos ambientais, os poderes do Ibama foram enfraquecidos (por meio da Lei Complementar 140), Unidades de Conservação tiveram seus limites reduzidos e, não bastasse tudo isso, as Terras Indígenas estão sob forte ameaça da bancada ruralista no Congresso. E o governo assiste a isso tudo sem se pronunciar, sem frear todos esses retrocessos. Não podemos compactuar com isso.”

De acordo com o Ibama, foram embargados 213 mil hectares de áreas desmatadas ilegalmente e arrecadados R$ 1,6 bilhão em multas de agosto de 2012 a abril de 2013. “Com esse valor, o governo já poderia ter investido em tecnologia para otimizar a produção em áreas já abertas. Não precisamos mais desmatar para produzir alimento. Se o governo não faz o que esperamos dele, então a sociedade precisa agir. A hora de zerar o desmatamento é agora”, frisou Kenzo Jucá.

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