Os rios amazônicos têm extensões a perder de vista. Com governo pactuando, o novo Código Florestal retira a proteção de 50% dos cursos d'água no bioma. (©Greenpeace/Karla Gachet)

A força da motosserra parece mesmo não ter fim. Na sessão que retomou as discussões e a apreciação dos destaques à Medida Provisória do Código Florestal, nesta quarta-feira (8), o governo novamente articulou um grande acordo com a bancada do agronegócio, que garantiu a votação. No entanto, cedeu mais uma vez à pressão ruralista de acabar com a proteção florestal, reforçando a disputa pelas beiras de rios.

Apenas cinco destaques foram votados, pois a sessão foi suspensa devido à Ordem do Dia. Dos quatro aprovados, um em específico foi crucial, e preocupa muito ambientalistas e até mesmo o governo: o texto que elimina as Áreas de Preservação Permanente em beiras de rios intermitentes, ou seja, aqueles que secam durante sete meses.

Na prática, isso significa que cerca de 50% dos cursos d’água da Amazônia ficarão sem proteção. A notícia é muito ruim, pois coloca em risco metade da maior bacia hidroráfica do mundo. E da forma que foi feita a emenda, a presidente Dilma Rousseff fica impossibilitada de vetar o trecho da lei.

Os rios amazônicos são fundamentais para a sobrevivência e a manutenção do modo de vida de milhões de famílias ribeirinhas e indígenas. Eles fornecem grande parte da água para consumo, utilizada para produzir alimentos e irrigar o solo das áreas agrícolas. Na Amazônia, os rios também são importantes pelo fato de serem usados, em várias regiões, como vias naturais de circulação, onde embarcações se deslocam transportando mercadorias e pessoas.

Isso tudo sem falar na importância da biodiversidade que eles guardam: mais de 2.100 espécies de peixes são atualmente reconhecidas na Bacia Amazônica, e muitas outras ainda estão por descobrir. Mas, se continuar nesse ritmo, mais nenhuma delas poderá ser descoberta.

Amanhã, às 9h, a sanha da devastação continua. Acompanhe e mande seu recado para o Congresso. Assine pela lei do Desmatamento Zero.

Assine a petição.