Conforme o clima esquenta, a agricultura vai sendo negativamente impactada. A própria Embrapa, em pesquisa recente, mostrou como as mudanças climáticas podem mudar a geografia e a produtividade da agricultura no Brasil, mudando o mapa das plantações. Socialmente será um desastre. No agreste nordestino, de onde sai a maior parte do milho da região, o clima vai tornar a produção agrícola beirando o impossível. A mandioca, por exemplo, que é base alimentar de tanta gente, tende a desaparecer da região. O café do sudeste vai ter que migrar para o Sul, que também vai ser a região mais propícia para mandioca e cana. A soja não mais brotará por lá. Em outro recente estudo, a AS-PTA mostrou que práticas agrícolas ecológicas são a melhor saída para os efeitos das mudanças climáticas. Eles pesquisaram bem na região onde a seca mais atingiu a agricultura brasileira, o oeste de Santa Catarina, e compararam o desempenho de lavouras de milho ecológico e convencional (com agroquímicos) na região durante a safra 2008-09. Na média, os produtores convencionais, usando agrotóxicos e fertilizantes químicos, tiveram um prejuízo médio de R$ 762/ha. Já os produtores agroecológicos, usando sementes de milho crioulo (tradicionais, obviamente não transgênicas) e aplicando ao solo matéria orgânica e pós-de-rocha, tiveram lucro de R$ 980/ha. A experiência ainda mostra que mesmo no curto prazo, isto é, quando um produtor decide mudar do sistema agrícola químico para o ecológico, os produtores de grãos se dão muito melhor economicamente. Além disso, deve-se contabilizar o ganho crescente em conservação de biodiversidade, o que nos prepara melhor para lidar com mudanças climáticas. Enfim, teremos que mudar nossas práticas no campo. Por bem, ou por mal.

Rafael Cruz - campaigner de Transgênicos