Relatórios lançados nos últimos dias comprovam aumento histórico de emissões de gás carbônico e pouca ambição dos países signatário do Acordo de Paris para reverter o aquecimento global.

Vista aérea de uma usina térmica a carvão na Alemanha. O país será a sede das negociações climáticas da COP 23, este ano. (Foto: ©Bernd Arnold/VISUM)

Em alguns dias, começará mais uma rodada de negociações sobre como combater as mudanças climáticas – ou ao menos contê-las. Governantes e representantes de países do mundo estarão em Bonn, na Alemanha, para a 23ª Conferência do Clima da ONU, a COP 23.

Duas notícias divulgadas nos últimos dias movimentaram o debate sobre o tema. E mostraram o quão desafiador será para nós construirmos um futuro mais seguro para as próximas gerações.

O relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO, da sigla em inglês) mostrou que em 2016, as concentrações de gás carbônico (CO2) em nosso planeta foram recordes. O gás, que é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global, alcançou o maior nível dos últimos 800 mil anos. O rápido crescimento do CO2 na atmosfera está causando mudanças sem precedentes no sistema climático, segundo o relatório. E a ação humana foi considerada, junto ao fenômeno do El Niño, como a principal causa do aumento.

A outra notícia veio da Unep, o braço ambiental da ONU. Mesmo que os  países que assinaram o Acordo de Paris cumpram todos os seus compromissos de redução de gases de efeito estufa, será improvável conter o aumento das temperaturas globais em 2 °C. A previsão é de que todo o esforço representará apenas um terço do que o mundo precisa fazer até 2030 – prazo colocado nas metas.

"O Acordo de Paris foi só o começo. Precisamos de ações mais rápidas e corajosas. Lideranças precisam surgir em Bonn e aproveitar esse momento para tomar medidas mais fortes e pressionar outros a se responsabilizar a cumprir suas obrigações. Nós ainda podemos conter aquecimento do planeta em até 1,5 °C se trabalharmos juntos", disse a Diretora Executiva do Greenpeace Internacional Jennifer Morgan.

"Quanto antes agirmos, melhor. A série de furacões, enchentes e secas que vimos neste ano vai só piorar se perdermos a nossa chance. A obrigação de todos os países que estarão em Bonn deve ser manter as fontes fósseis no chão", completa.

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O Greenpeace pede para que os países presentes na COP 23 elevem a ambição para as ações de combate às mudanças climáticas. "A mensagem é clara: Nosso clima está mudando e governantes devem acelerar suas ações. E, mais do que isso, é hora de começarmos a falar sobre as responsabilidades dos emissores de carbono. Até agora, os poluidores estão evitando se responsabilizar pelos gases de efeito estufa que eles jogam na atmosfera. Isso deve mudar. Eles devem ser responsabilizados e devem contribuir com o combate às mudanças climáticas, seja por meio de investimentos em mitigação, apoio à adaptação ou a compensação de danos causados por eventos climáticos", acrescentou Jennifer.