Laísa Santos Sampaio, ameaçada de morte (Antonio Cicero/Diário do Pará/Agência Pública)

A CPT (Comissão Pastoral da Terra) divulgou no início do ano uma lista com 38 pessoas ameaçadas de morte no sul e sudeste do Pará por conta de conflitos envolvendo a luta pela terra. A Pública, agência de jornalismo investigativo, fez uma série de reportagens em parceria com o jornal Diário do Pará para contar a história das dez mulheres da lista que estão marcadas para morrer.

Uma delas é Laísa Santos Sampaio, irmã de Maria do Espírito Santo da Silva, que foi assassinada no assentamento Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, ao lado do marido José Claudio Ribeiro da Silva, em 2011. Laísa deu continuidade à luta do casal contra madeireiros, donos de carvoarias e grileiros. Só que agora é ela quem recebe as ameaças, provavelmente do mesmo grupo que encomendou a morte de seus parentes. Apenas o autor dos disparos e seu ajudante foram condenados no julgamento do crime de 2011. O principal acusado de ter sido o mandante, José Rodrigues Moreira, foi absolvido.

Segundo dados da CPT, entre 1964 e 2010 ocorreram 914 assassinatos no Pará envolvendo a questão da terra, sendo que 654 foram concentrados no sul e sudeste do estado. Essa área é conhecida por ter altos índices de conflitos agrários, desmatamento e trabalho escravo.

Maria Joel Dias da Costa, a Joelma, também teve sua história contada na Pública. Ela é viúva de José Dutra da Costa, o Dezinho, assassinado em Rondon do Pará, em 2000, por lutar pela regularização de terras. Depois da morte do marido, Joelma assumiu a causa, mas, como no caso de Laísa, o mesmo grupo que teria articulado o assassinato passou a fazer ameaças contra ela também.

O pistoleiro de Dezinho foi condenado e depois fugiu da prisão, após receber progressão de pena para regime semiaberto. Já o acusado de ser o mandante, o fazendeiro José Décio Barroso Nunes, responde em liberdade e não tem julgamento marcado. O mesmo também ocorreu recentemente no caso da missionária Dorothy Stang, quando o acusado de ser mandante do crime teve o julgamento anulado, enquanto o assassino confesso cumpre a sentença em prisão domiciliar.

As histórias de Joelma e Laísa têm detalhes diferentes, mas as motivações, as lutas e as dores são as mesmas. Não basta terem visto seus familiares assassinados, agora são elas que estão na mira, principalmente depois que os julgamentos dos crimes relacionados aos seus parentes não condenaram os mandantes, apenas os executores. Ficou o recado de que a impunidade tende a prevalecer nos crimes do campo. Enquanto isso ocorrer, pessoas como essas duas mulheres continuarão em perigo e a Amazônia seguirá sofrendo com desmatamento, violência e exploração de trabalhadores.