“A gente está seguro nesse momento. Eu não sei depois, quando os policiais forem embora e ficar a gente aqui, à mercê”. Irmã do extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva, assassinado há três meses no sudeste paraense, Claudenice Silva dos Santos sabia que a segurança não ia durar muito por ali. Ela falou ao Greenpeace no dia do enterro do irmão. Três meses mais tarde, na madrugada desta sexta-feira, a família de Maria do Espírito Santo – esposa de Zé Cláudio e igualmente assassinada – sofreu emboscada. Por sorte, ninguém se feriu.

Conforme noticiou o colunista Lauro Jardim, o lote de Laísa Sampaio, irmã de Maria, foi alvo de disparos. Estava em casa apenas o marido de Laísa, José Maria Gomes Sampaio, que deixou correndo o local ao ouvir os tiros. O cachorro do casal foi atingido.

Na Amazônia, a insegurança no campo não é de hoje. Nos últimos anos, mais de 200 pessoas morreram, vítimas de emboscadas como a que matou Zé Cláudio e sua esposa. O casal vivia no assentamento Nova Ipixuna, que sofre uma enorme pressão de madeireiros.

O caso é apenas um exemplo do que ocorre por toda a Amazônia: enquanto os pequenos produtores se desdobram, sem apoio, para produzir e escoar sua produção, os grandes avançam cada vez mais por cima deles. Para os que resistem – como fazia Zé Cláudio – o destino é geralmente o mesmo.

Enquanto a violência corre solta pela Amazônia, no Congresso os ruralistas tentam votar uma lei que não resolve em nada esses problemas. Apenas abre mais espaço para que os grandes produtores continuem avançando sobre a floresta. Por isso, o Greenpeace pede ao governo que resolva de bate pronto as demandas da agricultura familiar e leve para uma discussão mais aprofundada os demais aspectos da lei.