Ao avistar o porto de Salvador ontem à noite quando chegávamos, havia uma faixa colocada na parede do galpão que fica exatamente em frente ao ponto onde atracamos. Era noite e estava escuro para fotografar a faixa. Hoje de manhã, com o sol e tempo bom típicos da Bahia, foi possível fazer um registro:

A faixa diz:

O apoio amplo, geral e irrestrito do pessoal do Sindicato Unificado dos Portuários do Estado da Bahia não é somente à presença do Greenpeace na Bahia, mas tem um contexto muito maior. No ano passado, quando denunciamos o transporte de urânio pelas ruas de Salvador, depois do comboio de 14 caminhões com cerca de 200 toneladas de urânio concentrado percorrer mais de 700 quilômetros até chegar ao porto, vimos que os funcionários temem a presença do carregamento no cais. Veja, por exemplo, o depoimento de um estivador no final deste vídeo:

O transporte de urânio põe em risco toda a região percorrida pelos comboios. Um acidente com um dos containers no percurso pode impactar as comunidades, municípios e cidades do trajeto. Os comboios transportando urânio passam pelo centro de Salvador, uma região habitada por milhares de pessoas, até chegarem ao porto e entregarem o carregamento para ser enviado ao Canadá (para converter o yellow cake em gás). O carregamento pode permanecer aqui no porto por dias, comprometendo a segurança dos funcionários do porto até o transporte final para os cargueiros - e além disso, se algum acidente radioativo acontecer no porto, a Companhia Docas é responsabilizada.

Cada vez mais a energia nuclear se mostra uma fonte de energia ultrapassada e perigosa. E os envolvidos nesse perigo já sabem disso.