Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, em momento de ativismo. (© Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

Na parede do Rainbow Warrior, o relógio apontou: já fazia quase 48 horas que os ativistas estavam amarrados à âncora do navio Clipper Hope, impedindo-o de ser carregado com ferro gusa sujo por desmatamento e trabalho escravo. Paulo olhou pela janela e decidiu: “Eu vou lá”.

O senso comum recomenda que alguém na casa dos 60 anos e diretor de uma organização não faça muitas estrepolias físicas. Mas no Greenpeace, o senso comum não tem lá muitos adeptos. Às 9h30 da manhã de quarta-feira, nosso diretor da campanha Amazônia, Paulo Adario, já estava dentro de um macacão e cheio de parafernálias. Às 10h30, ele já estava pendurado na âncora do navio.

“Estou aqui, suspenso a 7m de altura no Clipper Hope, impedindo o navio de se a abastecer com destruição e morte da Amazonia”, twitou ele, lá de cima, pouco antes de citar o guitarrista Jerry Garcia: “Alguém tem de fazer algo para parar a destruição. É patético que tenhamos de ser nós”.

Patético ou não, Paulo estava lá, revezando com um time de sete ativistas que desde segunda-feira bloqueiam o navio para que ele não seja abastecido de ferro gusa. Produzido largamente na Amazônia oriental,  os impactos dessa produção envolvem desmatamento, uso de trabalho escravo e invasão de terras indígenas.

Veja o vídeo:

“Se eu posso estar preso a essa corrente, você também pode fazer alguma coisa”, disse Paulo, convidando a população a tomar atitudes, como assinar a petição pelo desmatamento zero. Por volta das 14h30, quando ele foi substituído por outro ativista, voltou para o Rainbow Warrior. Ainda encharcado de água do mar, ligou para a esposa, com um sorriso de quem não está assistindo sentado a destruição da Amazônia: “Foi legal, eu sobrevivi”.  

Assine a petição.