Em mais de oito horas de vígilia pela Amazônia no plenário do Senado, em Brasília, foram muitos os momentos simbólicos. Do canto da pajé Zeneida Lima à apresentação do vídeo Manifesto Amazônia para Sempre, dos comentários debochados de alguns senadores da bancada ruralista à emoção da atriz Christiane Torloni ao falar da destruição da floresta.

Selecionei alguns para compartilhar aqui no blog, vamos a eles:

* Logo no início da vigília, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) quebrou o protocolo e convidou todos os presentes a sentarem nas cadeiras reservadas aos senadores. Como muitos não estavam no plenário, sobrou espaço. Eu sentei na cadeira do senador Efraim Moraes (PFL-PB). A partir dali, o Senado passou a ser formado por uma imensa bancada em defesa da Amazônia.

* Os senadores aproveitaram a presença de ambientalistas e imprensa para divulgar suas ações em defesa do meio ambiente. O senador Valdir Raupp (PMDB-RO), por exemplo, distribuiu livreto explicando seu projeto de lei pelo desmatamento zero na Amazônia e criação de um Ministério da Amazônia.

* Você conhece o Partido dos Defensores da Natureza e do Meio Ambiente (PDNMA)? Pois ele existe, apesar de não ter representação no Congresso. E representantes do partido foram à vigília para divulgar suas propostas.

* Comentário do senador Cícero Lucena (PSDB-PB) ao ver as pilhas de papel com o abaixo-assinado de mais de um milhão de pessoas ser colocada no meio do plenário. "Falam em desmatamento zero e gastam esse tanto de papel..." Convenhamos: se Lucena e seus pares atuasse menos para impedir medidas que reduzam o desmatamento, a tal pilha não precisaria existir, confere?

* Vários senadores e deputados deram uma de tiete quando os atores Christiane Torloni e Victor Fasano chegaram ao plenário do Senado. Tiraram fotos ao lado deles e pediram autógrafos.

* A ex-ministra Marina Silva (PT-AC) era de longe a pessoa mais elegante da vigília. Chegou uma das primeiras a chegar e uma das últimas a deixar o plenário.

* Chico Mendes, seringueiro, sindicalista e ativista ambiental do Acre, foi um dos nomes mais lembrados pelos participantes da vigília pela Amazônia. Chico, assassinado em 1988 em Xapuri (AC), foi um dos que mais lutaram pelo desenvolvimento sustentável da região.

* Enquanto parlamentares, ambientalistas e ativistas criticavam veementemente, no plenário do Senado, o agronegócio brasileiro e seus defensores no Congresso, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) tomava tranquilamente um cafezinho no restaurante em anexo, juntamente com um representante da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abeic). A pecuária é um dos principais vetores de desmatamento na Amazônia.

* Ao mesmo tempo, a MP 458 - projeto de regularização fundiária na Amazônia - era aprovada na Câmara dos Deputados. Para muitos dos presentes à vigília, a aprovação da MP do jeito que foi feita, sem os devidos cuidados aos detalhes que constavam dos destaques apresentados pelos deputados, significa a privatização das terras públicas na Amazônia.

* "Ô Sarneyzinho, chama a Kátia Abreu para assinar o abaixo-assinado pela Amazônia!", gritou uma moça da tribuna do Senado para o deputado Sarney Filho, líder da bancada ambientalista na Câmara. Kátia Abreu é um dos principais nomes da bancada ruralista, que faz tudo o que pode para brecar projetos que ajudem a preservar o meio ambiente.

* A apresentação de Carlos Nobre, do Inpe, foi uma das mais aguardadas da noite e foi forte o suficiente para prender a atenção de todos. "A preservação da Amazônia vale bilhões de dólares para o Brasil e para o mundo. Somos um povo da floresta, mas agimos como se fôssemos europeus. Foi assim na colonização do país, foi assim quando desbravaram a Amazônia e continuamos com esse modelo predador. O que precisamos é de uma ciência da floresta, para termos conhecimento e desenvolvimento sustentável na Amazônia."

* O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) encerrou as atividades no plenário do Senado lendo o poema Um Sonho que Cresce no Chão da Floresta, de Thiago de Mello, poeta natural do estado do Amazonas. Não encontrei o poema na internet, mas quem quiser conhecer um pouco da poesia de Thiago de Mello, clique aqui.