A entrevista de Haroldo Lima, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), para o jornal O Globo nesta terça deixou muita gente de cabelo em pé. Lima afirma que o Brasil tem mais experiência em segurança de exploração de petróleo em alto-mar do que europeus.

Em sua coluna de hoje, a jornalista Miriam Leitão lembra que a tecnologia de exploração é compartilhada mundialmente por diferentes empresas petrolíferas. Portanto, a chance de termos grandes dificuldades em conter eventuais acidentes é a mesma de empresas internacionais.

Estas chances aumentam ainda mais se considerarmos que o plano brasileiro de contingência para exploração e produção de petróleo, previsto na lei 9.966 de 2000, sairá do papel com dez anos de atraso, mais pela urgência do tema, do que pelo tempo de preparo.  

A maior pérola da entrevista, no entanto, é quando o diretor-geral da ANP parece descobrir a roda ao admitir que energias alternativas podem tornar dispensável o petróleo que temos aqui.  Segundo Lima, “temos que nos adiantar para evitar ficar com este mico”.

Este é o real motivo por estarmos indo na contramão do mundo ao investir na exploração de uma fonte suja, incerta e perigosa, ao invés de aproveitar o enorme potencial de energias renováveis, o verdadeiro bilhete premiado do Brasil.