Apesar de mais uma rejeição à criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul, a reunião da Comissão Internacional da Baleia este ano trouxe alguns (fracos) avanços para a proteção dos cetáceos

Foto: Todd Warshaw/Greenpeace

 

Mais uma vez, a criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul foi negada. A reunião da CIB (Comissão Internacional Baleeira) realizada em outubro, na Eslovênia, rejeitou a proposta por 38 votos a favor, 24 contra e 2 abstenções, ou seja, 60% de aprovação, quando o necessário  era 75%. Mas nem tudo foi perdido. O Greenpeace acompanhou os debates.  Confira a seguir o balanço geral da reunião:

Caça científica

Foi aprovada uma resolução que estreita as lacunas usadas por países que ainda fazem a caça ilegal de baleias sob a desculpa de pesquisa científica (notoriamente o governo japonês). Há dois anos,  a “caça científica” praticada pelo Japão foi considerada uma quebra no acordo de proibição da caça comercial de baleias pela Corte de Justiça Internacional da ONU. Esta nova resolução deve significar que as cotas para pesquisa letal, distribuídas a cada país, agora devem ser aprovadas por um comitê da CIB e não podem mais ser manejadas pelos próprios países onde a “pesquisa” seria desenvolvida.

Ainda não é uma medida que bane a pesquisa letal de baleias, mas é um passo em direção ao fim da justificativa da pesquisa científica. Como falamos anteriormente, a pesquisa sobre baleias é essencial para o entendimento destes animais, mas com a adoção de novas tecnologias a pesquisa letal não é justificável sob nenhuma forma.

Proteção das vaquitas

As vaquitas-marinhas (Phocoena sinus), pequenos botos dos mares, dominaram a cena na CIB. Todos os países-membros da Comissão concordaram que ações internacionais urgentes devem ser tomadas para proteger estes pequenos cetáceos. As vaquitas estão em perigo eminente de extinção. Elas são endêmicas do Golfo da Califórnia e menos de 60 indivíduos ainda podem ser encontrados na natureza. O Greenpeace Internacional vem lutando pelas vaquitas-marinhas há algum tempo e agora podemos finalmente estar em um momento de virada pela conservação destes animais!

Baleias mantém os oceanos saudáveis

Neste ano, houve muita discussão sobre o papel ecológico das baleias no equilíbrio dos oceanos.  Populações saudáveis desses animais são essenciais para a dispersão de nutrientes, suporte de ecossistemas inteiros e ainda combate ao aquecimento global.

Durante a reunião, a comissão científica da CIB reconheceu formalmente estes benefícios ecológicos para a vida no planeta. Foi discutido que a caça comercial de baleias teria um grande impacto nos oceanos exatamente por diminuir o número destes animais e assim impedir estes benefícios essenciais para o equilíbrio oceânico. Mais que isso, os cientistas argumentaram que o excremento delas (coco de baleia mesmo) fertiliza o ambiente marinho e possibilita o crescimento de Phytoplancton, plantas marinhas microscópicas responsáveis pela produção de quase 70% do oxigênio que respiramos. ()

Por fim, o Governo Brasileiro se ofereceu para sediar a próxima reunião da CIB em dois anos, mas ainda não há confirmação do local do evento.

Ainda não foi desta vez que criamos o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, mas esta reunião foi positiva para a conservação dos cetáceos e nos deu motivos para termos esperança que estamos no rumo certo. Até lá, continuaremos nos dedicando a enfrentar outras ameaças à sobrevivência das baleias, como o aquecimento global e a poluição dos mares.