Com o chapéu de maior país emissor de CO2 na cabeça, os Estados Unidos anunciaram, nesta terça-feira, algumas medidas contra a crise climática que atravessamos. O setor energético foi um dos mais contemplados. Além de fixar limites de emissões para as novas centrais termoelétricas – responsáveis por um terço do dióxido de carbono que os EUA lançam nos ares –, o presidente Obama prometeu liberar terras para expandir projetos de energia solar e eólica. Abaixo, o diretor executivo do Greenpeace nos EUA, Phil Radford, comenta o anúncio.

“Em seu discurso nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nos desafiou a responder a uma pergunta essencial para qualquer nova decisão sobre política energética: quais serão os impactos climáticos se colocarmos este plano para frente?

O discurso foi corajoso e contundente. Durante anos, o Greenpeace vinha avisando que quanto mais tempo demorássemos para tomar partido, pior seriam os efeitos das mudanças climáticas. A fala de Obama mostrou que já estava mais do que na hora de ele decidir se colocar ao lado das pessoas, e não da indústria de combustíveis fósseis.

Nós estamos ao lado de Obama na luta contra a poluição e emissões. Mas sabemos que essa batalha não será vencida só com palavras. Sobre o oleoduto Keystone-XL [um dos projetos com maior potencial de emissões] o presidente afirmou: “Os efeitos climáticos do Keystone serão fundamentais para decidirmos se vamos em frente com esse projeto”.

Nessa linha, fica claro que não existe espaço no nosso futuro não só para este oleoduto, mas também para a exploração do Ártico ou da indústria de carvão em nossas terras. Todos esses projetos teriam impactos significativos no clima, e não são de interesse nacional.

No início do ano, a organização Oil Change International soltou dados mostrando que o oleoduto de Keystone, sozinho, jogaria na atmosfera pelo menos 181 milhões de toneladas de CO2. No Ártico, se continuarmos a extrair e queimar petróleo por ali, a região vai continuar a desaparecer, e num ritmo muito mais veloz, alimentando os desastres climáticos ao redor do mundo. A expansão da indústria do carvão nos EUA também preocupa: ela tem o potencial de poluição e de emissões maior que qualquer novo projeto de combustível fóssil no país.

Em seu discurso, Obama lembrou das futuras gerações: “Algum dia, nossos filhos e netos vão olhar nos nossos olhos e perguntar se fizemos de tudo para deixar a eles um mundo mais limpo, seguro e estável. Eu quero ter condições de responder que sim. E vocês, também não querem?”, ele perguntou. Sim, presidente, queremos. E ficamos contentes em saber que você também quer."

*Phil Radford é diretor-executivo do Greenpeace nos Estados Unidos.