A portas fechadas, eis que Dilma Rousseff finalmente revela o que pensa sobre Angra 3. Em conversa com o presidente da Alemanha, Christian Wulff, a presidente fez um apelo para que ele interceda em favor do projeto de construção da usina, que depende de financiamento alemão.

Quase dois meses se passaram desde a tragédia japonesa em Fukushima e vários países anunciaram que irão reavaliar medidas de segurança e até mesmo repensar seus planos nucleares. Por aqui, o governo manteve silêncio, mesmo frente aos vários pedidos do Greenpeace para que interrompa a construção de Angra 3, um projeto desnecessário, caro e perigoso, com tecnologia completamente defasada.

O presidente alemão, segundo revelou nota no jornal O Globo de hoje, não teria cedido tão facilmente aos apelos radioativos de Dilma. Ele confirmou que vem sofrendo intensas pressões internas, especialmente eleitorais, para cancelar o crédito de exportação que o governo concederia para a compra dos equipamentos necessários à Angra 3.

A parceria Brasil-Alemanha em projetos nucleares data da década de 1970 e o aporte do país ao projeto de Angra 3 é de cerca de R$ 3 bilhões. Sem ele, o financiamento para a construção do calhambeque atômico ficaria na mão do BNDES. O Greenpeace esteve na porta do banco em abril para pedir que ele cancele este investimento em insegurança. Esteve também em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, com um pedido direto à presidente pelo fim de Angra 3.

Greenpeace protesta em frente ao BNDES. ©Ivo Gonçalez/Greenpeace