Para ficar amarrado a quase dez metros de altura é preciso mais que coragem: é preciso técnica. Não por acaso, na última semana, no time de ativistas que se revezaram no bloqueio ao navio Clipper Hope, próximo a São Luis (MA), seis deles são escaladores. Por dez dias, a trupe trocou as montanhas do Rio de Janeiro pela corrente de âncora de um imenso navio cargueiro, que estava prestes a carregar ferro gusa manchado pela devastação da Amazônia.

Flávio Carneiro, de 41 anos e mais conhecido como Bagre, é o mais antigo da turma. Chegou ao Greenpeace quando a organização ainda nem existia no Brasil, durante a Eco-92, e não saiu mais. Participou de algumas das maiores ações do Greenpeace no país, escalando a usina Angra 2, pendurando-se no Cristo Redentor e parando o trânsito para estender uma imensa faixa na Ponte Rio-Niterói. “Tô aí até hoje. Conheci a fundo a história do Greenpeace, fiz grandes amizades”, diz.

Algumas amizades ele trouxe para o ativismo. É o caso de Hillo Santana, 44 anos de idade, 31 de escalada e três de Greenpeace. À vontade em todas as modalidades de escalada, Hillo também ajudou a abrir um banner na Ponte Rio-Niterói e, em outra ação, desceu o Elevador Lacerda, em Salvador, pelo lado de fora.

Quando não estão pendurados nas alturas, com uma faixa do Greenpeace na mão, Bagre e Hillo volta e meia estão abrindo e explorando vias de escalada por aí. Segundo eles, tudo a ver uma coisa com a outra.

“Tem uma relação muito grande entre a escalada e a proteção ambiental”, diz Hillo. “A preservação é muito forte para a gente, que tem as montanhas como segundo lar”, completa Bagre. “O Greenpeace usa técnicas de escalada em suas ações, mas as ideias do Greenpeace também são muito presentes na escalada”. Alguma dúvida disso? 

Hillo Santana, um dos escaladores voluntários a bordo do Rainbow Warrior. (©Greenpeace/Marizilda Cruppe/EVE)

 

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