Protesto feito na Korea em 2008

Os dois primeiros dias, em pleno final de semana, em uma cidade quente e com dias ensolarados, foram apenas para “limpar a casa” entre os principais governos para o início da reunião hoje. A verdadeira sensação era que os delegados passaram horas e horas fiscalizando o “rabo” alheio. Como eles precisavam cumprir recomendações para a regulamentação da pesca e ninguém tem o verdadeiro interesse em cumpri-las, passam a se acusar mutuamente. Mas, é bem engraçado entender o jogo entre as nações pesqueiras. A Comunidade Européia, uma das principais potenciais pesqueiras e o principal mercado para o Japão foi altamente criticada por não conseguir implementar seu programa de observadores de bordo, que viriam a “fiscalizar” a pesca e a utilização de medidas mitigadoras. Por outro lado, a Comunidade Européia criticou a Turquia pelas falhas na implementação das recomendações, e nomeou todos os barcos que eles conseguiram levantar e que estavam realizando a pesca ilegal. Hoje, tivemos a presença do Ministro Altemir Gregolin que abriu a Comissão para Conservação dos Atuns e Afins e fez um discurso vendendo seu novo programa de governo, que tem como objetivo principal resolver todos os problemas da pesca instalando muitos empreendimentos de aquacultura na zona costeira e ainda investir em equipar uma nova frota para a pesca oceânica. Essa foi a parte assustadora! Não sei como ele conseguirá aumentar a produção pesqueira se os recursos pesqueiros nacionais já estão 80% explotados. Ele disse também que está muito orgulhoso em poder receber os representantes dos demais países nessa cidade, que pode vir a ser no futuro a cidade dos atuns, quando a nossa “nova” frota oceânica tiver conseguido aumentar sua produção. Hoje mesmo está chegando um desembarque de atum no Porto de Recife. Por parte do governo brasileiro, o discurso mais interessante foi do presidente da Comissão – o brasileiro e pesquisador Fábio Hazin. Ele deixou bem claro que se a Comissão dos Atuns (ICCAT) não atender e aceitar as recomendações do Comitê Científico, nós (o governo brasileiro) realmente precisaremos recorrer a outro fórum internacional, que dê a devida importância ao assunto. Essa já é a posição do Greenpeace. Desde 2005 estamos trabalhando junto a ICCAT para que ela seja uma Comissão voltada para a conservação do atum, e ele vem falhando desde então, em seguir, ao menos o que dizem seus próprios cientistas. A solução será recorrer a CITES – Convenção sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas em março de 2010. Vamos ver como seguirão as discussões ao longo da semana. Acompanhe aqui no blog ou pelo twitter.