Foi removido hoje, por volta do meio-dia, o relógio do atraso instalado ontem pelo Greenpeace onde deveria estar a estação Adolfo Pinheiro do metrô. Colocado entre as Avenida Adolfo Pinheiro e Isabel Schmidt, o marcador indicava há quantos dias estava atrasada a entrega da estação e quantas pessoas já poderiam ter passado pela mesma.

Ontem, às 17h30 o Greenpeace foi notificado pela Subprefeitura de Santo Amaro de que tinha 12 horas para apresentar autorização de instalação do “anúncio”. Não se tratava, de forma alguma, de anúncio, propaganda ou peça de marketing instalado em via pública - como mencionado na notificação enviada, mas sim de legítimo ato de protesto da sociedade civil, amparado pela liberdade de expressão e manifestação - sem necessidade de prévia autorização - garantida a todos pelo artigo 5º, incisos IV e XVI, da  Constituição da República Federativa do Brasil.

Às 7h de hoje o relógio estava desligado, com sinais de arrombamento e falta de parafusos em sua face posterior. Por volta das 9h, Barbara Rubim, coordenadora da campanha de clima e energia do Greenpeace, atendia a uma rede de televisão em frente ao relógio quando uma equipe da Prefeitura apareceu para remoção do mesmo. Durante as frustradas tentativas de remoção, Dirceu de Brito, psicólogo, passava pelo local e abraçou o poste de sustentação do relógio em solidariedade à causa. Dirceu permaneceu dessa forma por quase duas horas, até que recebeu informações da Guarda Civil Metropolitana de que poderia ser preso por tal ato.

A equipe da prefeitura conseguiu remover o relógio e não há informações de para onde o material foi levado. Vale ressaltar que a operação de retirada ocorreu em apenas 24 horas. No dia 8 de agosto, Dia do Pedestre, o Greenpeace realizou pinturas tracejadas em locais onde deveriam existir faixas de pedestres. De lá para cá, mais de 30 dias se passaram e, das seis faixas cobradas, duas ainda permanecem sem pintura.

Logo após o incidente o Greenpeace protocolou uma carta na Subprefeitura de Santo Amaro, endereçada ao subprefeito e ao prefeito Fernando Haddad, cobrando melhorias e registrando um manifesto de descontentamento com a atitude repressora e sem diálogo do poder público perante um protesto pacífico e legítimo da sociedade civil.

O protesto faz parte de uma série de ações realizadas pelo Greenpeace desde abril de 2013, quando foi lançada a campanha #Cadê. A iniciativa cobra e acompanha a elaboração dos Planos de Mobilidade nas capitais brasileiras. Além disso, também pede um maior investimento e esforço do governo federal, estadual e municipal para a construção de uma mobilidade urbana que proporcione mais qualidade de vida aos cidadãos e seja boa para o meio ambiente.