A noite de ontem foi muito especial para o fotógrafo espanhol Daniel Beltrá, que ficou em segundo lugar no prestigiado concurso “Wildlife Photojournalist of the Year” (ou fotojornalista de vida animal do ano, em tradução livre). O prêmio veio graças a uma série de fotografias da construção da usina de Belo Monte, em plena floresta amazônica, e suas consequências.

Beltrá recebeu o prêmio numa cerimônia realizada no Museu de História Nacional de Londres, dia 15. Entretanto, o fotógrafo diz não conseguir comemorar, se referindo ao ativistas presos em Murmansk: “Como eu poderia celebrar enquanto pessoas que eu conheço estão presas há semanas na Rússia por protestos pacíficos?”.

Por duas décadas, Beltrá trabalhou como fotógrafo freelancer, segundo ele, ao lado de inúmeros talentos, pessoas corajosas e dedicadas, que davam seu tempo para criar um mundo melhor. Já havia viajado pelos quatro cantos do mundo quando, em 2012, integrou o Greenpeace Internacional, também como freelancer, para capturar imagens do degelo no Ártico.

O fotógrafo é atento a constante degradação de diferentes biomas espalhados pelo globo: “Nosso mundo está derretendo na frente dos nossos olhos, mas parece que ainda não compreendemos a urgência dessa crise”. E completa: “Depois de fotografar o vazamento de óleo no Golfo do México, fico estarrecido com qualquer um que tente justificar a exploração de petróleo em áreas frágeis”.

Analisando os fatos, Beltrá reconhece que poderia estar no lugar do amigo Denis Sinyakov, fotógrafo freelancer que acompanhava o protesto contra a Gazprom. Humildemente, o fotógrafo homenageia os colegas: “Eu quero dedicar esse prêmio ao Denis, ao ativistas do Arctic Sunrise, ao cinegrafista freelancer Kieron Bryan e especialmente ao meu amigo Peter Willcox, capitão do navio”.