Estação foi inaugurada com mais de mil dias de atraso. Foto: ©Greenpeace

 

Com mais de mil dias de atraso e milhões de viagens que deixaram de ser realizadas pela população neste período, a estação de metrô Adolfo Pinheiro, em São Paulo, foi, enfim, inaugurada - incompleta, diga-se - nesta quarta-feira. Já fazia 11 anos que a Linha Lilás do metrô não recebia uma nova estação. No dia 19 de setembro, durante a Semana da Mobilidade, o Greenpeace instalou um ‘relógio do atraso’ em frente ao canteiro de obras da Adolfo Pinheiros, denunciando o descaso do poder público com a população.

“A inauguração da Adolfo Pinheiro é uma ótima notícia, pois a previsão é que cerca de 14 mil pessoas vão circular pela estação. Quando toda a linha estiver concluída, serão 45 mil pessoas todos os dias”, observa Barbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Mas estamos longe do ideal. O cronograma de obras do Metrô de São Paulo continua atrasadíssimo, e isso tem um impacto direto e concreto na mobilidade da cidade: milhões de pessoas estão deixando de circular de transporte coletivo onde já deveriam poder fazer essa opção. Enquanto isso, os engarrafamentos, a poluição, as emissões e o estresse só crescem sobre o asfalto”.

De acordo com o projeto original, a Linha Lilás terá 17 estações distribuídas em 19,8km, ligando o Capão Redondo à Chácara Klabin. O desenho traçado também prevê integração com as Linhas 2 (Verde) e 1 (Azul). Quando completa, a média de passageiros estimada por dia deve pular de 205 mil para 640 mil. Mas ano a ano, religiosamente, o governo anuncia novos atrasos no calendário. Com uma previsão inicial de estar funcionando 100% em 2012, agora o prazo já foi para 2016.

A Linha 4 (Amarela) também caminha a passos lentos. Prevista inicialmente para ser entregue em 2003, ela continua com inúmeras estações no papel, sendo uma das mais demoradas da expansão do Metrô de São Paulo. Por essas e outras, o sistema paulistano já ganhou o título de mais superlotado do mundo, segundo a Comunidade de Metrôs (CoMet), que compara sistemas ferroviários pelo mundo. Por aqui, são mais de 11,5 milhões de passageiros por quilômetro de linha. O ideal, diz a CoMet, é dez quilômetros de linha para cada 2 milhões de usuários.

Veja o vídeo da inauguração do Relógio do Atraso, que o Greenpeace instalou em 2013 em frente ao canteiro de obras da estação Adolfo Pinheiro: