Ativistas do Greenpeace ocuparam em Helsinque (Finlândia) um navio quebra-gelo contratado pela Shell para a exploração de petróleo no Ártico (©Greenpeace/Patrik Rastenberger)

Em uma nova tentativa de convencer a multinacional Shell a abandonar seus planos de exploração no Ártico –região que abriga um ecossistema sensível e já ameaçado pelo aumento das temperaturas globais–, ativistas do Greenpeace bloquearam ontem, em Helsinque (Finlândia), um navio quebra-gelo a serviço da empresa e que estava prestes a partir para o Alasca como apoio às operações de perfuração de petróleo.

Ao todo, quarenta e dois ativistas de 13 países participaram da ação pacífica. Vinte deles se acorrentaram a bordo do navio Nordica, impedindo sua partida.

Após seis horas e meia de resistência, a polícia removeu os manifestantes. Mas, para a surpresa das autoridades finlandesas, outros 22 ativistas a bordo de botes infláveis conseguiram furar o cerco da guarda costeira e instalaram boias diante do Nordica. Enquanto isso, outros nadaram em direção ao quebra-gelo. No final da ação, todos os ativistas foram presos.

“Viemos aqui hoje representando cerca de 400 mil pessoas em todo o mundo que, durante os últimos dois meses, enviaram cartas para os executivos da Shell manifestando sua oposição aos planos irresponsáveis da empresa de perfurar [poços de petróleo] na preciosa região do Ártico”, disse Tapio Laakso, do Greenpeace Nórdico.

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De propriedade do governo finlandês, o Nordica dará suporte a duas plataformas da Shell que, neste verão, iniciarão as perfurações de cinco poços de petróleo na costa norte do Alasca. Após o protesto do Greenpeace, o navio partiu em direção a seu destino.

A Shell foi a primeira grande petroleira internacional a colocar o Ártico como foco de seus planos de exploração. O temor é que, caso a empresa tenha êxito em suas prospecções, se dispare uma corrida pelo óleo sem precedentes na região.

As condições climáticas extremas do Ártico e o curto verão representam um desafio operacional para a Shell, que conta com uma pequena janela de tempo para a perfuração dos poços antes do retorno do gelo do inverno. Um vazamento de óleo nesta região teria efeitos devastadores para o sensível ecossistema da região e seria praticamente impossível de limpar.