A assessoria de imprensa da Bertin comunica que a empresa disponiblizará, no seu site, a lista de fazendas fornecedoras a todos os seus clientes. A nota explica ainda que assim o fornecedor poderá conferir o histórico das fazenda e checar se elas  estão embargadas ou têm alguma multa, no site do Ibama; ou se ela está na lista suja do trabalho escravo, no site do Ministério do Trabalho.

O relatório “A Farra do Boi na Amazônia”, do Greenpeace, demonstrou que esse tipo de monitoramento, baseado apenas em dados do governo, não é suficiente para evitar a expansão do desmatamento impulsionada pela demanda dos frigoríficos na região. A grande maioria das fazendas não é fiscalizada e por isso, não constam em nenhuma dessas listas.

Na verdade, o processo movido pelo Ministério Público Federal contra os frigoríficos aponta para outra direção, ao co-responsabilizar as empresas pelos crimes cometidos pelas fazendas. Por este motivo, o procurador da república no Pará Daniel Avelino apresentou uma contra-proposta para um termo de ajustamento de conduta, demonstrando claramente os passos que os frigoríficos precisam dar para garantir que sua produção fique “livre de desmatamento”.

A proposta do Ministério Público prevê que o frigorífico Bertin exija de seus fornecedores mapas geo-referenciados com os limites de suas propriedades. O cruzamento desses mapas com imagens de satélites possibilitará a identificação de fornecedores com novos desmatamentos, permitindo à empresa excluí-los imediatamente. Dessa maneira, o frigorífico poderá garantir a seus consumidores que não estará comercializando a destruição da Amazônia.

O sistema sugerido pela Bertin é inócuo e insuficiente para resolver o problema. Não oferece nenhuma mudança, permitindo a continuidade da situação denunciada pelo Greenpeace.