Enquanto os líderes globais, reunidos no Riocentro para a Conferencia da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, assinam um texto final divorciado da realidade, do outro lado da cidade, no aterro do Flamengo, as organizações da sociedade civil aprovaram em assembleia, nesta sexta-feira, 22, a declaração final da Cúpula dos Povos sobre o futuro que esperam.

A declaração é uma crítica aos resultados da Rio+20, que, segundo o texto, “repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global”.

Segundo o texto da Cúpula, a chamada economia verde estaria entre estas falsas soluções, uma vez que continua a estimular o consumo frenético, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras.

O documento não apresenta soluções concretas, mas oferece linhas gerais de um modelo alternativo:

“A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidária, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial”, diz o documento.

A declaração da Cúpula dos Povos será entregue hoje ao secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Leia Aqui o texto completo.

“A verdadeira Rio+20 aconteceu no aterro do Flamengo”, disse Nilo D’Ávila, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Na Cúpula dos Povos, a sociedade civil pôde discutir sem as amarras do processo convencional, que se limita ao possível e não ao necessário para salvar o planeta.”

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