Com a expansão do FSC no mundo, o rigor no processo de controle e certificação da madeira também precisa crescer para manter a credibilidade do selo (© Daniel Beltra / Greenpeace).

 

O FSC (Conselho de Manejo Florestal, da sigla em inglês) foi criado em 1993 para permitir que as empresas e o público pudessem identificar produtos provenientes de florestas geridas de forma ambientalmente responsável. Duas décadas depois, o FSC continua a ser o único sistema de certificação de manejo florestal com credibilidade, mas ele não é perfeito.

O Greenpeace teme que, com o rápido crescimento do sistema, a aplicação e a interpretação de suas normas tenham sido enfraquecidas. É por esse motivo que a organização acaba de publicar o primeiro conjunto de estudos de caso que destaca tanto as melhores práticas quanto as áreas onde o FSC precisa melhorar para manter a sua reputação e garantir que ele continue sendo uma marca na qual os consumidores podem confiar.

O lado bom

Um bom exemplo de manejo florestal certificado pelo FSC pode ser encontrado na cidade de British Columbia, no Canadá, onde a organização ambientalista Canadá Ecotrust possui o certificado para um grupo de gestores de pequenas florestas localizadas na ilha de Vancouver e na região do rio Kootenay.

O certificado da Canadá Ecotrust é um exemplo do FSC fazendo o que ele foi criado para fazer: garantir a extração de madeira através de métodos de baixo impacto, que conservam os valores ecológicos e sociais da floresta. Além de ambientalmente corretas, essas práticas são também economicamente viáveis, pois os consumidores estão realmente dispostos a pagar mais por produtos de boa qualidade e de madeiras de boa procedência.

Os membros certificados estão trabalhando ativamente para conservar o habitat de espécies em risco e manter a diversidade dessas espécies, que têm diminuído ao longo de décadas de práticas destrutivas de exploração florestal.

Os membros do Canadá Ecotrust também têm um histórico positivo de relação com comunidades das chamadas Primeiras Nações, ou povos tradicionais da região – incluindo um acordo formal com o povo Hupacasath, que reconhece seus direitos sobre a terra e tem seu consentimento para práticas florestais.

O lado não tão bom assim

Enquanto boas práticas são vistas em alguns lugares do globo, em outros como na Escandinávia, infelizmente, a má gestão das empresas madeireiras controladas pelo FSC está ameaçando a sobrevivência de espécies em risco.

“O que é madeira controlada?”, perguntam-se os consumidores. O selo do FSC é uma pequena etiqueta, que assegura que o produto é proveniente de fontes responsáveis. Mas não é só isso. Ele garante que a madeira foi selecionada pelas empresas para evitar que a matéria-prima seja proveniente de fontes não controladas, como extração ilegal, conversão de florestas em plantações e outros usos não-florestais, que estejam relacionadas a conflitos sociais ou sejam de espécies geneticamente modificadas.

Na Finlândia, as três maiores empresas do setor florestal continuaram seus negócios como de costume, usando a imagem verde a seu favor, mas sem corresponder aos princípios da certificação. Elas estão categorizando todo o país como áreas de baixo risco para a falta de controle de madeira. Isso é inaceitável.

Especialistas finlandeses dizem que a maioria das espécies ameaçadas de extinção dependem de florestas e são ameaçadas pela silvicultura intensiva no país. Dois terços de todo o remanescente florestal está ameaçado – e, novamente, a principal razão para isso é a silvicultura destrutiva. Portanto, o risco de que a madeira proveniente de habitats ameaçados entre no sistema do FSC como madeira controlada é muito alto, embora as empresas digam o contrário. Esta não é a gestão florestal responsável que o conselho requer, e não deve ser aprovada pelo FSC.

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O Greenpeace acredita que o manejo florestal pode e deve ser melhorado. Atualmente, menos de 2,5% das florestas manejadas da Finlândia são certificadas pelo FSC. Enquanto isso, a demanda por madeira controlada com selo FSC só cresce e uma série de danos está sendo causada para suprir isso.

Se o FSC quer manter sua integridade e a confiança do consumidor, as práticas precárias e os abusos ligados à aquisição de certificação por quem pratica um manejo florestal incorreto precisam parar imediatamente. Práticas como as da Canadá Ecotrust precisam ser incentivadas. Precisamos do sistema FSC para garantir boas práticas de forma consistente em todo o mundo, mas o FSC precisa cuidar e proteger a sua reputação.

A certificação florestal desempenha um papel importante na conservação das florestas do mundo. Mas, na mesma medida em que o FSC continua a se expandir no mercado, ele deve tranquilizar os consumidores de que seus padrões serão aplicados rigorosamente em todas as regiões do planeta. Isso significa reforçar o controle da qualidade de suas operações de certificação em 100% dos produtos que possuam seu selo, para se livrar de qualquer madeira não controlada.

Caso isso não ocorra, o FSC corre o risco de deixar de ser um importante instrumento de proteção florestal para se tornar apenas mais um esquema de "greenwash", que vende “imagens verdes” a quem não as merece.

* Judy Rodrigues é coordenadora da campanha de Florestas do Greenpeace International

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