Antonio Padilha é um dos voluntários do Greenpeace Brasil. Como cidadão brasileiro, ele sai às ruas pela lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero (© Greenpeace)

 

Meu nome é Antonio Padilha, sou engenheiro e trabalho nas indústrias. Nas horas vagas, sou voluntário do Greenpeace Brasil. E é com imenso prazer que abraço a causa dessa e de outras organizações ambientalistas recolhendo assinaturas nas ruas, junto ao povo, para o Projeto de Lei do Desmatamento Zero. A lei é a resposta dos bons cidadãos brasileiros, que defendem de verdade o nosso país, da ação dos maus brasileiros, aqueles que mutilaram o Código Florestal, abrindo buracos na proteção das florestas, com único intuito de atender a seus próprios interesses.

Junto com os demais companheiros voluntários, vou às ruas para pedir às pessoas para que assinem para defender a natureza. Nós queremos deixar para as gerações futuras um país verde, e não um deserto. Muitas vezes, viajo por semanas ou meses, o que me dá a oportunidade de falar com um número grande de pessoas, e conseguir assinaturas em diversos lugares no Brasil.

Em Juiz de Fora (MG), em agosto de 2012, o primeiro homem com quem falei na rua, na Avenida Presidente Itamar Franco, era um corretor de imóveis. Depois de assinar, ele disse que eu poderia conseguir a assinatura de muitas outras pessoas em uma exposição de orquídeas no Colégio dos Jesuítas. Fui para lá imediatamente, falei com o responsável da exposição, que permitiu que eu falasse com todas as pessoas no recinto. Consegui grande número de assinaturas. O limite era o meu tempo. O resultado? 95 assinaturas no sábado, dia 25, e mais 90 no domingo, dia 26.

Depois disso, ganhei na rua um folheto convidando para outra exposição de flores na Praça da Estação. Fui lá, aproveitando a presença de pessoas que gostam da Natureza. A grande coleta de assinaturas se repetiu. Um dos organizadores, muito amigo, me deu até uma mesinha e uma cadeira dentro da barraca da exposição, para facilitar o trabalho. No sábado, dia primeiro de setembro, foram 45 assinaturas, no domingo, 57, e no feriado do dia 7 foram mais 76. No total, em Juiz de Fora, entre 21 de agosto e 27 de setembro, consegui 435 assinaturas em papel, fora as pessoas que prometeram divulgar o Desmatamento Zero para seus amigos pela Internet.

Em Caxias do Sul (RS), onde estive de 16 a 23 de outubro, descobri através do Google Maps o Parque Getulio Vargas, uma bela área verde em frente à Prefeitura, perto do hotel onde eu estava. Ali, no final de semana, havia música ao vivo. A coleta terminou num total de 73 assinaturas. Só não consegui mais porque não tive nenhum dia de folga no trabalho, e também porque passei muito tempo conversando com as ótimas pessoas que encontrei – uma delas, o Maicon, era colaborador do Greenpeace.

Entre 7 e 10 de março, estive em Pouso Alegre (MG). De lá trouxe na bagagem mais 37 assinaturas e algumas histórias interessantes. Na Praça em frente à catedral, dois homens conversavam em um banco de jardim. Convidei os dois a assinarem. Um deles me respondeu que aquilo não tinha cabimento: “Onde já se viu! O que nós vamos fazer com o mato? Precisamos da terra para plantar!” Agradeci com a mesma educação e me direcionei ao outro, que assinou prontamente.

No sábado, dia 9 de março, era 19 horas e caía uma chuva leve. Eu voltava do trabalho de ônibus. Já perto do hotel, embaixo de uma marquise, estava um homem sozinho, sentado na mureta de uma loja. Levei até ele o meu pequeno discurso, pensando em conseguir mais uma assinatura. A resposta foi: “Que é isso? Como é que nós vamos comer, sem cortar o mato? Você está perdendo seu tempo... Você tem seu emprego, não tem? Então é melhor ir para sua casa, comer seu arroz e feijão com sua ‘velhinha’, e largar mão disso.” Agradeci e fui embora. No dia seguinte, antes de ir para o Terminal Rodoviário tomar o ônibus de volta para São Paulo, desobedeci em grande estilo ao conselho deste cidadão e coletei mais 17 assinaturas na Praça.

E assim, nesse ritmo, vamos avançando, até alcançar o número necessário de um 1,4 milhão de assinaturas. Nosso objetivo é defender a riqueza que ganhamos no dia em que nascemos neste grande país que é o Brasil, pois a maior biodiversidade do mundo não tem preço. Será difícil bater o recorde das 7,5 mil assinaturas que conseguimos de uma só vez, no dia 22 de junho de 2012, durante a conferência Rio+20. Mesmo assim, mantemos o ritmo e acreditamos que em breve chegaremos lá.

Aos companheiros de luta pelo nosso planeta e pelas futuras gerações, um abraço de amizade.

*Antonio Padilha é voluntário do Greenpeace Brasil

Assine a petição.