© Greenpeace / Daniel Beltrá

Apesar de sua monstruosidade, Belo Monte é uma gota numa bacia que ainda deve ver muita barragem em seu leito. É o que indica o Plano Decenal de Energia (PDE), que o Ministério de Minas e Energia acaba de abrir a consulta pública. Segundo o documento, que indica os passos do MME para os próximos dez anos, R$ 175 bilhões de investimentos estão reservados ao setor de geração. Dessa bolada, uma fatia de 71% vai para a construção de novas hidrelétricas. A maioria na Amazônia.

O dinheiro para as represas começa a correr a partir de 2014. Até lá, 10.700 MW virão de novas termelétricas. Na ponta do lápis, o crescimento das térmicas a carvão alcança os 80%, e de óleo combustível, 170%.

Além das hidrelétricas, o plano ainda separa uma pequena fatia para outras fontes renováveis, como biomassa e eólica. Mas deixa claro que isso só vai para frente se nenhum “entrave ambiental” atrapalhar. E aí o discurso volta para o ruim e velho dramalhão que não dispensa uma chantagem.

“A concretização deste plano depende principalmente da obtenção de licenças prévias ambientais. Caso contrário, uma eventual expansão de projetos termelétricos, preferencialmente movidos a gás natural, mas também projetos a carvão mineral, poderão constituir alternativa de atendimento à demanda, frente a eventuais atrasos dos projetos indicados”, afirma trecho do documento.

Para ver os números do PDE esmiuçados, leia nossa matéria.