Ativistas protestam em Bruxelas durante reunião de líderes das montadoras de carros europeias, pedindo uma legislação mais rigorosa para eficiência energética. (©Philip Reynaers/Greenpeace)

 

A Volkswagen se afastou do lado negro da força e anunciou, hoje, no Salão Internacional do Automóvel em Genebra que cumprirá as metas obrigatórias de eficiência energética da União Europeia a partir de 2020. O Greenpeace lançou uma rebelião, em 2011, para pressionar a empresa a se comprometer com as metas de eficiência.

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A nova frota de carros de passageiros da montadora terá padrões ambientais mais ambiciosos em termos de consumo de combustível, não excedendo a emissão de 95 gramas de CO2/km, o equivalente a cerca de 4 litros de combustível por 100 km.

Carros com maior eficiência energética representam economia de combustível, beneficiando o bolso do consumidor e reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pelas mudanças climáticas. Dessa forma, a Volskwagen deixa claro que é possível atender as metas europeias e dá o exemplo, principalmente, para a China e para os Estados Unidos de que uma legislação mais rigorosa pode e deve ser cumprida.

A União Europeia estabeleceu metas obrigatórias de eficiência energética para automóveis em 2007, forçando padrões mais rigorosos até 2020 e o desenvolvimento de tecnologias e motores mais eficientes. Além disso, as montadoras são obrigadas a afixar a etiqueta de eficiência e disponibilizar amplas informações de consumo de combustível e de emissões desde 1999.

Enquanto isso, no Brasil, o consumidor sofre se quiser obter as mesmas informações. O programa de etiquetagem ainda é voluntário e, portanto, depende da boa vontade das montadoras. Mesmo aquelas que aderem ao programa não precisam etiquetar todos os modelos e unidades produzidas.

“Se em termos de informações mínimas ao consumidor ainda estamos muito longe do ideal, com relação à economia de combustível a realidade brasileira ainda caminha timidamente”, afirma Renata Nitta, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Foi apenas em 2012 que o governo decidiu incluir a eficiência energética como critério para o programa de benefícios fiscais ao setor automobilístico – o INOVAR AUTO.

É uma medida importante, mas o Brasil não pode continuar atrasado em relação a adoção de metas obrigatórias de eficiência, principalmente quando outros grandes mercados, como a Europa, já definiram padrões para 2020 e até mesmo 2025. Este atraso só acarreta em aumento do consumo de combustíveis, no aumento das emissões de gases de efeito estufa e em mais gastos para a população brasileira ao encher o tanque.