Ontem, cerca de 600 pessoas juntaram suas vozes para gritar contra a construção da usina de Belo Monte. Por mais de cinco horas, o grupo composto por integrantes do Movimento Xingú Vivo Para Sempre, Movimento dos Atingidos por Barragem - MAB, MST, Conselho Indigenista Missionário - CIMI e representantes de organizações ambientalistas marcharam pela esplanada dos ministérios entoando gritos de guerra contra a obra que pode significar o fim da vida de muita gente que depende do Rio Xingú.

Boa parte da energia que manteve o ânimo de quem esteve no ato veio da presença de James Cameron, diretor do filme “Avatar”, junto a dois atores que nele trabalharam, Sigourney Weaver e Joel David Moore. Também esteve no ato o ator brasileiro Victor Fasano, que levantou a bandeira em defesa da floresta ao fundar a organização Amazonia Para Sempre, e 2009.

As demandas do grupo eram claras: cancelem o leilão de Belo Monte (marcado para o dia 20 de abril), e suspendam sua licença prévia. Na base destas exigências, uma agenda unia os diferentes movimentos e organizações na marcha: o questionamento do modelo econômico pelo qual o governo justifica empurrar um empreendimento que irá desalojar milhares de pessoas, e o equivalente ao inimaginável número de 70 mil campos de futebol em áreas alagadas, goela abaixo dos brasileiros.

Ao longo da marcha, nós éramos provocados permanentemente a refletirmos sobre a usina, que se construída será a terceira maior do mundo. Para onde vai tanta energia? Por que tanto sacrifício para uma planta geradora que funciona em potência plena somente 3 meses por ano? Quem vai de fato se beneficiar do empreendimento?

Em tempo: 20% de toda a energia brasileira é consumida por cerca de 40 empresas.