Debate organizado por ONG's sobre exploração de gás de xisto e seus impactos socioambientais (©Greenpeace)

 

Às vésperas da 12a rodada de Concessão das atividades de Exploração de Petróleo e Gás Natural, Greenpeace, ISA, Ibase, Fase e CTI promoveram um debate sobre os impactos socioambientais da exploração do gás de xisto no Brasil. Apesar de estar ‘na moda’ nos Estados Unidos, o gás de xisto e a tecnologia para sua exploração ainda são desconhecidos no Brasil.

Jailson de Andrade, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) foi o primeiro a falar. Diante da perspectiva de que um dos grandes desafios deste século é o setor energético, ele chamou a atenção para o fato de que apesar do xisto ser enxergado por muitos como uma solução, deve-se considerar todos os riscos envolvidos nesta atividade. “Para se explorar este tipo de gás, demanda-se uma enorme quantidade de água que após ser utilizada para fracionar as rochas fica contaminada com substâncias químicas como arsênio e bário. As perguntas que devem ser respondidas são: de onde virá a água? E para onde ela irá?”, questionou Andrade.

Além de abordar a questão ambiental, o debate ainda tratou da ausência de transparência na legislação brasileira que pode colocar em risco o fornecimento de água de muitos municípios e também da questão social.

Conrado Octavio, do Centro de Trabalho Indigenista, e Angel Matses, da Comunidad Nativa Matses no Peru, retomaram a história de como foi a exploração de petróleo nas décadas de 70 e 80 em regiões próximas às Terras Indígenas e as Reservas Extrativistas. “Houve muito conflito com os povos indígenas isolados, às vezes eram deixadas clareiras abertas no meio do roçado dos índios. Após tanto conflito, os trabalhos foram suspensos e agora querem retomar a agenda de óleo e gás na região, isso sem consultar os povos indígenas”, afirmou Conrado. 

Muitos dos 240 blocos com potencial exploratório estão próximos à comunidades indígenas isoladas e em sobreposição com importantes aquíferos, como o do Paraná e o de Parecis. Ricardo Baitelo, do Greenpeace Brasil, disse que “precisamos de gás para nossa transição energética e para conseguir abandonar os combustíveis fósseis. Mas deve-se atentar que o xisto não é um gás convencional e que precisamos de algo que ainda não existe: critérios rígidos para a exploração.”