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Notícia - 13 - abr - 2014
Painel de cientistas da ONU confirma que setor de transporte contribui cada vez mais para aquecimento global; quadro pode mudar com transporte público e carros eficientes e elétricos.

No dia que o IPCC divulga novo relatório, ativistas pedem mais energias renováveis. Foto: © Gordon Welters / Greenpeace

 

As medidas para frear as mudanças climáticas não são apenas necessárias, mas viáveis e urgentes. Porém, devem vir de todas as frentes: governos, indústrias e sociedade civil. O recado veio de centenas de cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU), que divulgaram hoje mais um relatório abordando o assunto. Dessa vez, sobre as oportunidades de mitigação para essa crise global do clima.

Um dos dados que o relatório traz, o Brasil conhece bem: nos últimos anos, o setor de transporte foi um dos que mais aumentou sua contribuição para o aquecimento global. De 1970 a 2010, suas emissões mais que dobraram. E, segundo o IPCC, se nada for feito, as emissões do setor devem crescer como nenhuma outra até 2050, puxadas principalmente pelos países emergentes. Dados nacionais reforçam esse alerta. De acordo com o Observatório do Clima, de 1990 a 2012 as emissões de transporte subiram 143% no Brasil. E continuam em frente.

“A notícia boa que o IPCC traz é que há espaço para amenizar esse quadro. Os investimentos em transporte público e em infraestrutura para as opções não motorizadas são fundamentais para essa mudança”, explica Iran Magno, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace. Só assim, ele diz, com ações concretas dos governos – do federal aos municipais –, os indivíduos poderiam fazer escolhas inteligentes em seus deslocamentos no dia a dia.

Ele acrescenta que, por outro lado, a indústria também tem sua parcela de responsabilidade. “Não adianta apenas melhorar o transporte de massa. O Brasil é o quarto maior mercado de veículos do mundo, e a estimativa é que a frota nacional continue crescendo. A recomendação expressa dos cientistas é que a indústria adote tecnologias de baixo carbono, melhorando a eficiência energética dos automóveis e abrindo caminho para a eletromobilidade”, diz Magno.

Na última semana, o Greenpeace divulgou um estudo feito em parceria com a Coppe/UFRJ mostrando que os veículos brasileiros poderiam reduzir substancialmente suas emissões caso a indústria investisse em tecnologias mais modernas. Segundo os dados, se os carros brasileiros fossem produzidos com a mesma meta de eficiência energética europeia, chegaríamos a 2030 emitindo 11% menos gases estufa que hoje, mesmo que a frota de carros fosse o dobro da atual.

"O desafio das mudanças climáticas já está lançado e, cada vez mais, vemos eventos climáticos extremos e tragédias ao redor do mundo“ afirma Magno. "No Brasil ainda temos espaço para mudança e potencial de liderar uma guinada para uma economia de baixo carbono. Agora é uma questão de vontade e escolha".

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