A moda contra a parede

Notícia - 4 - dez - 2012
Grandes marcas de moda escondem escândalo de poluição tóxica na China

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ativistas do Greenpeace recolheram amostras de água perto de um canal de descarte usando um barco de pesca emprestado de um pescador local. Esse canal gigante pertence a Shaoxing Water Treatment Development Co, Ltd WWTP (Shaoxing WWTP) e desemboca no rio Qiantang. © Greenpeace / Kuang Yin

Beijing, 4 de dezembro de 2012 – Investigações do Greenpeace Internacional revelaram o despejo de esgotos industriais contendo uma grande quantidade de substâncias perigosas. Elas vêm de duas Zonas Industriais localizadas na base de fabricação têxtil mais importante da China.

As investigações foram publicadas hoje no relatório “Fios tóxicos: colocando a poluição contra a parede”, que detalha quais instalações - algumas delas de produtoras têxteis de grandes marcas comerciais, como a Levi’s, Calvin Klein e GAP - estão explorando sistemas de esgotos complexos para evitar um exame detalhado dos seus processos de fabricação.

“De todas as fábricas em que estivemos nos últimos anos, nunca tínhamos visto poluição em uma escala tão grande. As amostras de esgoto colhidas provaram ser alguns dos resultados mais tóxicos que vimos ao longo de nossa campanha. Essa poluição precisa acabar”, diz Yifang Li, da Campanha de Tóxicos do Greenpeace Sudeste Asiático.

O Greenpeace investigou duas das maiores plantas de tratamento de esgoto da China (WWTP), na província litorânea de Zhejiang. Testes feitos em amostras de água coletadas próximo aos locais de despejo revelaram que os dejetos vindos da Shaoxing WWTP – a maior planta de tratamento da China em capacidade diária de processamento - e da Linjiang WWTP continham resíduos químicos tóxicos causadores de câncer e capazes de prejudicar sistemas reprodutores. Alguns deles permanecem no ambiente e se acumulam no organismo.

Investigadores do Greenpeace entraram em contato com testemunhas em comunidades locais cujo solo e água estão sendo poluídos. Muitos desses habitantes estão tão preocupados com sua saúde que, em uma área tipicamente abundante em recursos hídricos, alguns têm confiado no governo local para a entrega de água potável.

“Muitas marcas internacionais, como a Levi’s, recebem seus produtos de instalações dentro dessas Zonas Industriais, apesar de ser impossível identificar se fornecedores individuais são responsáveis pelo descarte de substâncias perigosas em seus efluentes. Isso cria uma conveniente cortina de fumaça para práticas ambientais inaceitáveis em instalações privadas, incluindo o uso e descarte de resíduos químicos perigosos pela indústria têxtil mundial”, afirmou Li.

A dispersão de substâncias químicas perigosas em sistemas de água, tanto na fabricação de roupas e após sua venda – como quando são lavados os resíduos químicos existentes nos produtos – só pode ser enfrentada com a eliminação rápida e transparente de seu uso na fonte.

“Além de estabelecer um prazo curto para eliminar as substâncias químicas mais perigosas, as marcas devem exigir que seus fornecedores revelem publicamente a descarga desses resíduos. Ambos são passos primordiais para alcançar o fim da liberação de substâncias químicas até 2020 e o Greenpeace vai continuar a expor empresas que não se responsabilizam por cada etapa de sua cadeia de fornecimento”, disse Martin Hojsik, Coordenador da Campanha de Detox do Greenpeace Internacional.

NOTES:

1. O relatório “Toxic Threads: Putting Pollution on Parade” pode ser acessado em: www.greenpeace.org/international/putting-pollution-on-parade

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