Ação imediata para salvar o clima

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Notícia - 27 - set - 2013
Painel da ONU eleva o alerta sobre a iminência de uma crise climática e mostra urgência de medidas globais para se reduzir as emissões de gases estufa

Em foto de 2008, Greenpeace da Nova Zelândia infla balão gigante nas proximidades de Auckland para alertar sobre os perigos das mudanças climáticas (© Greenpeace)

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) divulgou hoje o Sumário para Formuladores de Políticas, a primeira seção que compõe o Quinto Relatório de Avaliação. O tom da publicação aumenta o alerta em relação ao relatório passado, publicado em 2007, afirmando que as mudanças climáticas são inequívocas e que os impactos das emissões de CO2 se agravaram. Por outro lado, evidencia que ainda há tempo de prevenir as piores  consequências do aquecimento global com medidas urgentes.

“A única resposta lógica é a ação imediata. Infelizmente, aqueles que estão agindo estão neste momento presos na Rússia, enquanto os responsáveis pelas mudanças climáticas são protegidos por governos de todo o mundo”, disse Stephanie Tunmore, do Greenpeace Internacional.

Ela se refere aos 28 ativistas do Greenpeace Internacional, além do fotógrafo e do cinegrafista free-lancer, que permanecem em prisão provisória na Rússia desde a semana passada, após um protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico.

Saiba mais sobre os ativistas presos na Rússia:

O documento apresenta projeções para o futuro com maior grau de segurança, afirmando ser 95% provável que o aquecimento observado desde meados do século 20 seja resultado da influência humana sobre o clima. 

Os sinais de aceleração dos impactos climáticos são perturbadores. Na última década – entre 2002 e 2011 – a camada de gelo da Groenlândia derreteu, em média, seis vezes mais rápido do que na década anterior. Na Antártida, o derretimento foi cinco vezes mais rápido e o gelo do mar Ártico diminuiu significativamente mais rápido do que o previsto. Desde 1993, os níveis do mar subiram duas vezes mais rápido que no século passado.

O IPCC define diferentes cenários possíveis para as emissões globais de carbono e prevê seus impactos relacionados. Para que a temperatura média da superfície terrestres não exceda os 2oC em relação à temperatura da era pré-industrial – limite considerado perigoso pelos cientistas – serão necessários cortes drásticos nas emissões de gases estufa, atingindo um pico em dez anos e chegando a zero em 2070.

“Diante desse cenário, vemos um descompasso entre o que o Brasil precisa fazer para reduzir suas emissões e o que, de fato, está fazendo. Apesar de todas as evidências, insiste em investir altos recursos na exploração de combustíveis fósseis”, afirmou Sérgio Leitão, diretor de políticas públicas do Greenpeace Brasil. “O Brasil terá o primeiro leilão para o pré-sal em menos de um mês, evidenciando sua escolha por uma atividade arriscada, insegura e suja, que pode colocar o país entre os maiores emissores do mundo.”

A solução para o Brasil é uma resposta única - eficiência energética e energias renováveis – que pode resolver mais de um problema. Se investisse em energia limpa, o país poderia reduzir em 60% suas emissões até 2050, um corte de 777 milhões de toneladas por ano para 312 milhões de toneladas. A economia do país também seria beneficiada com tal incentivo: a construção de menos termelétricas e a maior participação de renováveis pouparia R$ 1,11 trilhão até 2050.

“Ainda temos escolha e esse é o momento de decidir. O Brasil pode ajudar a manter o aquecimento global dentro do limite de 2oC, mas para isso os governos, empresas e investidores precisam agir e deixar os combustíveis fósseis no passado de uma vez por todas para garantir o futuro”, acrescentou Leitão.

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