Numalinda manhã de sol,
eis que surge no mar de Copacabana, a poucos metrosda praia, uma
imensa bóia laranja. Na areia, uma régua de medição donível do mar
foi estendida por ativistas do Greenpeace. A mensagem eraclara: é
preciso agir logo para salvar o clima do planeta e evitar
osimpactos negativos do aquecimento global e das mudanças
climáticas.Caso contrário, cidades como o Rio de Janeiro vão sofrer
as durasconseqüências, como a elevação do nível dos oceanos.
A atividade às vésperas de mais um relatório do
PainelIntergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em
inglês),da ONU, a ser divulgado nesta sexta-feira em Bruxelas, na
Bélgica.
O alerta dado aos brasileiros na praia de Copacabana fez todo o
sentidoporque o Rio de Janeiro é uma das cidades brasileiras
maisvulneráveis à elevação do nível do mar. Para informar a
populaçãocarioca sobre o problema, umgrupo de voluntários do
Greenpeace montou uma barraca e distribuiuinformaçõesao público na
praia e no calçadão. "Queremos mobilizar o maior númeropossívelde
pessoas na luta contra o aquecimento global. Estamos
distribuindoinformações e dando dicas práticas de combate ao
aquecimento global",disseRebeca Lerer. "As mudanças climáticas
afetam a todos e por issoprecisamosmudar a forma como vivemos hoje
para evitar este problema. Ainda hátempo!".
De acordocom estudos do Ministério do Meio Ambiente, 42 milhões
de brasileiros podem serafetados com a elevação do nível do mar..
Na região metropolitana doRio de Janeiro, maior concentração urbana
costeira do país, as previsões maispessimistas indicam que, até
2100, o aumento do nível do mar engolirá calçadõesda orla,
ameaçando casas e prédios à beira-mar. Além disso, tempestades
eressacas no litoral fluminense serão mais freqüentes e fortes. As
conseqüênciasmais graves deverão ser sentidas daqui a 100 anos,
quando o mar poderá estar 50centímetros mais alto e o aumento da
temperatura poderá chegar aos 4º C (1).
"O governobrasileiro deve responder ao aquecimento global
adotando uma Política Nacionalde Mudanças Climáticas e o controle
do desmatamento da Amazônia comoprioridades", afirma Rebeca Lerer,
da Campanha de Clima e Energia doGreenpeace. "Esta política
nacional deve preparar o país para lidar com osimpactos das
mudanças climáticas, tais como a elevação do nível do mar na
costabrasileira, o avanço da desertificação no semi-árido e a
savanização daAmazônia".
Amazônia - vítima e vilã doaquecimento
global
Atualmente,o Brasil é o quarto
maior emissor de gases estufa do planeta. Mais de 70% dasemissões
são provenientes do desmatamento da Amazônia. Segundodados do
governo brasileiro, nos últimos dois anos o desmatamento caiu de
26mil quilômetros quadrados (2003-2004) para aproximadamente 14 mil
quilômetrosquadrados (2005-2006). Para o Greenpeace, a queda é
importante e mostra que medidas de governança - como criação de
áreasprotegidas e operações de fiscalização no campo - estão
surtindo efeito.
"No entanto, só poderemoscelebrar quando os fatores estruturais
que levam ao desmatamento - como oagronegócio voltado para a
exportação - não destruírem mais um hectare que forda floresta e
derem lugar a um modelo de desenvolvimento sustentável, no
usoresponsável dos produtos florestais e na conservação deste que é
o maiorpatrimônio ambiental dos brasileiros", disse Paulo Adário,
coordenador da campanha do Greenpeacepela proteção da Amazônia.
AAmazônia também é uma das regiões brasileiras mais vulneráveis
aosimpactos doaquecimento global. De acordo com um estudo do
Instituto Nacional dePesquisa Espacial (INPE), divulgado em
fevereiro, um aumento médio datemperaturaglobal de 3º C pode
representar um aumento de até 8º C na regiãoamazônica. Para o
cientista Carlos Nobre, se forem mantidos aprogressão eo cenário
atuais de desmatamento, uma parte significativa dos 6
milhõesdequilômetros quadrados que compõem a floresta amazônica
poderá setransformar num cerrado.
Veja no filme abaixo como foi a atividade no Rio de Janeiro.
Notes: (1) Fontes: Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade – caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas no território brasileiro ao longo do século XXI – José A. Marengo, Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2006 e Seminário “Adaptação e Vulnerabilidade da Cidade do Rio de Janeiro à Elevação do Nível do Mar pelo Aquecimento Global” - FBMC / COPPE / UFRJ, 23 de março de 2007.