Salvemos o clima já - ou o Rio vai precisar de muitas bóias

Notícia - 3 - abr - 2007
Às vésperas da divulgação do relatório do IPCC sobre impactos das mudanças climáticas, organização se manifesta e engaja o público na luta contra o aquecimento global.

Numalinda manhã de sol, eis que surge no mar de Copacabana, a poucos metrosda praia, uma imensa bóia laranja. Na areia, uma régua de medição donível do mar foi estendida por ativistas do Greenpeace. A mensagem eraclara: é preciso agir logo para salvar o clima do planeta e evitar osimpactos negativos do aquecimento global e das mudanças climáticas.Caso contrário, cidades como o Rio de Janeiro vão sofrer as durasconseqüências, como a elevação do nível dos oceanos.

A atividade às vésperas de mais um relatório do PainelIntergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês),da ONU, a ser divulgado nesta sexta-feira em Bruxelas, na Bélgica.

O alerta dado aos brasileiros na praia de Copacabana fez todo o sentidoporque o Rio de Janeiro é uma das cidades brasileiras maisvulneráveis à elevação do nível do mar. Para informar a populaçãocarioca sobre o problema, umgrupo de voluntários do Greenpeace montou uma barraca e distribuiuinformaçõesao público na praia e no calçadão. "Queremos mobilizar o maior númeropossívelde pessoas na luta contra o aquecimento global. Estamos distribuindoinformações e dando dicas práticas de combate ao aquecimento global",disseRebeca Lerer. "As mudanças climáticas afetam a todos e por issoprecisamosmudar a forma como vivemos hoje para evitar este problema. Ainda hátempo!".

De acordocom estudos do Ministério do Meio Ambiente, 42 milhões de  brasileiros podem serafetados com a elevação do nível do mar.. Na região metropolitana doRio de Janeiro, maior concentração urbana costeira do país, as previsões maispessimistas indicam que, até 2100, o aumento do nível do mar engolirá calçadõesda orla, ameaçando casas e prédios à beira-mar. Além disso, tempestades eressacas no litoral fluminense serão mais freqüentes e fortes. As conseqüênciasmais graves deverão ser sentidas daqui a 100 anos, quando o mar poderá estar 50centímetros mais alto e o aumento da temperatura poderá chegar aos 4º C (1).

"O governobrasileiro deve responder ao aquecimento global adotando uma Política Nacionalde Mudanças Climáticas e o controle do desmatamento da Amazônia comoprioridades", afirma Rebeca Lerer, da Campanha de Clima e Energia doGreenpeace. "Esta política nacional deve preparar o país para lidar com osimpactos das mudanças climáticas, tais como a elevação do nível do mar na costabrasileira, o avanço da desertificação no semi-árido e a savanização daAmazônia".

Amazônia - vítima e vilã doaquecimento global

Atualmente,o Brasil é o quarto maior emissor de gases estufa do planeta. Mais de 70% dasemissões são provenientes do desmatamento da Amazônia. Segundodados do governo brasileiro, nos últimos dois anos o desmatamento caiu de 26mil quilômetros quadrados (2003-2004) para aproximadamente 14 mil quilômetrosquadrados (2005-2006). Para o Greenpeace, a queda é importante e mostra que medidas de governança - como criação de áreasprotegidas e operações de fiscalização no campo - estão surtindo efeito.

"No entanto, só poderemoscelebrar quando os fatores estruturais que levam ao desmatamento - como oagronegócio voltado para a exportação - não destruírem mais um hectare que forda floresta e derem lugar a um modelo de desenvolvimento sustentável, no usoresponsável dos produtos florestais e na conservação deste que é o maiorpatrimônio ambiental dos brasileiros", disse Paulo Adário, coordenador da campanha do Greenpeacepela proteção da Amazônia.

AAmazônia também é uma das regiões brasileiras mais vulneráveis aosimpactos doaquecimento global. De acordo com um estudo do Instituto Nacional dePesquisa Espacial (INPE), divulgado em fevereiro, um aumento médio datemperaturaglobal de 3º C pode representar um aumento de até 8º C na regiãoamazônica. Para o cientista Carlos Nobre, se forem mantidos aprogressão eo cenário atuais de desmatamento, uma parte significativa dos 6 milhõesdequilômetros quadrados que compõem a floresta amazônica poderá setransformar num cerrado.

Veja no filme abaixo como foi a atividade no Rio de Janeiro.

Notes: (1) Fontes: Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade – caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas no território brasileiro ao longo do século XXI – José A. Marengo, Ministério do Meio Ambiente, Brasília, 2006 e Seminário “Adaptação e Vulnerabilidade da Cidade do Rio de Janeiro à Elevação do Nível do Mar pelo Aquecimento Global” - FBMC / COPPE / UFRJ, 23 de março de 2007.

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