Ainda tem carne suja na mesa

9 comentários
Notícia - 27 - ago - 2010
Entre queimadas, gado continua a pastar ilegalmente pela Flona do Jamanxim, área protegida no Pará. O problema não é novo, nem é restrito à unidade.



O resumo da ilegalidade: gado e queimada margeiam a floresta no Jamanxim. No mapa, a foto corresponde ao círculo amarelo com um ponto no meio. © Greenpeace/Rodrigo Baleia

Fogo usado na limpeza de terreno, para provável expansão da pecuária, na Flona do Jamanxim. A foto corresponde ao ponto amarelo, no mapa. © Greenpeace/Rodrigo Baleia


Às margens da BR-163 e nas beiradas do Arco do Desmatamento, a Floresta Nacional do Jamanxim, no Sul do Pará, está sob proteção oficial desde 2006. Mas, passados quatro anos, isso não impediu que a área de 1,3 milhão de hectares continuasse ameaçada. Em sobrevoo pela região na última semana, ativistas do Greenpeace constataram que os velhos problemas continuam por ali. E têm nome: gado, queimadas e ocupações irregulares de terra.

De acordo com monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Flona de Jamanxim passou o mês de agosto liderando a lista de unidades de conservação com mais queimadas na Amazônia: foram mais de 800 focos registrados. A equipe cruzou as coordenadas dos incêndios com dados do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes) e percebeu uma clara associação entre fogo e áreas de expansão da pecuária.

Prática antiga na agricultura brasileira, as queimadas servem para renovar o pasto e limpar áreas recém-desmatadas a um custo baixo. “Encontramos grandes focos. Na região da BR-163, o fogo começou no pasto e já atingiu a floresta. E a mesma coisa acontece no Norte de Mato Grosso”, conta Paulo Adario, diretor da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

Encravada numa das principais fronteiras de avanço do agronegócio, a Flona do Jamanxim foi criada para conter o desmatamento que avançava por suas bordas. A unidade é uma área de uso sustetável, sendo ilegais quaisquer atividades econômicas ou propriedades particulares em seu interior.

Em meados de 2009, o então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou em altos brados a Operação Boi Pirata II, que iria coibir a criação de gado principalmente dentro de áreas protegidas. À época, mil cabeças de gado foram tiradas do Jamanxim. Mas hoje, segundo o Sindicato Rural do município de Novo Progresso – onde se encontra a Flona – pelo menos 100 mil cabeças continuam pisoteando a área, como mostram as imagens documentadas pelo Greenpeace.

Frigoríficos e supermercados

O problema não é novo, e nem é restrito à Floresta Nacional do Jamanxim. Com a falta de governança, a criação de gado em unidades de conservação e terras indígenas é coisa comum pela Amazônia. O setor da pecuária começou a se mexer apenas no final do ano passado, quando os três maiores frigoríficos do Brasil se comprometeram a não comprar mais boi de fazendas que criam os animais dentro de áreas protegidas ou recém-desmatadas.

No último mês de julho, JBS/Bertin, Marfrig e Minerva anunciaram ter deixado de comprar gado de 221 fazendas com essas características. Outras 1.787 propriedades estão em averiguação. As empresas afirmam, também, ter o ponto georreferenciado de mais de 12.500 fazendas, número que, segundo elas, representa 100% da cadeia de fornecedores diretos da região.

O movimento das gigantes da pecuária, no entanto, não resolve o problema por inteiro. Juntas, elas respondem por 36% dos abates feitos na Amazônia Legal. Deixando-as de lado, existem ainda 259 frigoríficos registrados atuando na região, entre pequenos, médios e grandes. Isso sem falar nos clandestinos. Até agora, eles não assumiram qualquer compromisso com o desmatamento zero, e continuam escoando seus produtos por meio de supermercados que ainda não limparam suas prateleiras dos passivos ambientais e sociais.

A Associação Brasileira de Supermercados, por sua vez, comprometeu-se, em 2009, a excluir fornecedores que têm ligação com a devastação da floresta tropical brasileira. O prazo definido pelas redes varejistas termina na próxima terça-feira, 31, mas os resultados não estão aparecendo. É o que diz o Instituto de Defesa do Consumidor. Segundo o Idec, o consumidor ainda não encontra informação disponível para saber se a carne que chega à sua mesa vem de fazendas com desmatamento ilegal ou uso de trabalho escravo.

Tópicos
9 Comentários Adicionar comentário
Stela Fernandes

Stela Fernandes says:

As pessoas tem que se concientizar de que esse é um problema nosso, não apenas político, já que nós é que colocamos ''eles'' no poder. Vamos pesquisar os ideiais dos nossos governantes, pra saber se eles estão apenas interessados em benefícios próprios ou estão pensando na preservação da vida e no povo também.

Enviado 6 - out - 2010 às 12:33 Denunciar abuso

VIDA

VIDA says:

Há tempos estou pensando em mudar meu estilo de vida. Acho que agora é a hora. Bateu a necessidade de valorizar e cuidar de tudo que Deus nos deu. Então estou buscando na internet orientação quanto ao modo de fazer isso. Sou uma brasileira como tantas outras, criada em meio a churrasco e sacolas plásticas. Não será fácil, pois a herança cultural/familiar é muito forte. Gostaria que vcs me ajudassem dando dicas de sites e blogs que me orientem a iniciar um novo estilo de vida. Por exemplo, onde obter informações de empresas que não são ecologicamente corretas? Existem blogs ou sites que dão dicas para o dia-a-dia? Também acredito que TODOS somos responsáveis por desmatamentos, mas nem todos nos damos conta disso. Acredito que o consumo é o que nos mata. É ele o principal responsável por todos os desastres. Mas para parar de consumir preciso conhecer e me conscientizar do mal que isso faz. Estou em busca. A mudança é pequena, mas pode se irradiar por toda a minha família e aí por diante. Vcs me ajudam??

Enviado 16 - set - 2010 às 12:04 Denunciar abuso

micheloraize

micheloraize says:

ainda bem q sou vegetariano =/

Enviado 16 - set - 2010 às 8:55 Denunciar abuso

fabiochaves

fabiochaves says:

Este problema será resolvido quando as pessoas se derem conta de que não rpecisam comer animais. Nem vacaas, nem cavalos, nem girafas, nem porcos... O aproveitamento dos recursos é muito maior numa dieta vegana.

Enviado 15 - set - 2010 às 13:55 Denunciar abuso

g.taissum

g.taissum says:

SUJOS! Queria ver se foss a mãe deles pastando!

Enviado 15 - set - 2010 às 12:58 Denunciar abuso

NoelleAbreu

NoelleAbreu says:

É verdade, nós possuimos uma enorme floresta em nosso país , com tantas diversidades....e não cuidamos!! o problema é que, o ser humano não se contenta só com isto, para ele, não basta ter essa floresta tão bonita...o que ele realmente se importa é do APROVEITAMENTO que se pode fazer com todas essas riquezas naturais...e só de pensar que isso tudo é por dinheiro!!!
ISSO É BURRICE, PORQUE NÃO CUIDAMOS DO QUE É NOSSO?? POR QUE DESTRUIU NOSSO PRÓPRIO LUGAR?
tudo isso...por dinheiro, é incaceitável.

Enviado 10 - set - 2010 às 9:19 Denunciar abuso

trk2010

trk2010 says:

SABE O QUE FALTA NESTE PÁIS??? VERGONHA NA CARA E VONTADE POLÍTICA..... POIS SE TIVESSEMOS VERGONHA JAMAIS HAVERIA DESMATAMENTO E SE HOUVESSE VONTADE POLÍTICA NÃO HAVERIA POR QUE TER VERGONHA!!!! SOMOS PIADA INTERNACIONAL, POIS TEMOS TUDO E NÃO CUIDAMOS DE NADA, COMO SE FOSSEM FONTES INESGOTÁVEIS!!! OLHAMOS A NATUREZA COMO FONTE DE RENDA E NÃO DE SUBSISTÊNCIA..... UMA PENA...... MUITA PENA DE NÓS....

Enviado 8 - set - 2010 às 22:18 Denunciar abuso

Krauss

Krauss says:

É, horrível e tal.

Agora sabem se quem é a culpa?

De TODOS que se dão o luxo de se alimentar de carne de animais pois o ser humano NÃO precisa.

80% de áreas cultiváveis da terra são usados para a criação de animais.

Existem diversos atletas de elite que são vegetarianos e muitos inclusive Veganos.

Vejo como uma grande hipocrisia alguém que se alimenta de carne fazer um protesto mesmo contra um desmatamento ilegal.

No caso dos ativistas do GreenPeace acredito ser legítimo pois não vejo como uma pessoa possa ser ambientalista e se alimentar de carne.

Enviado 8 - set - 2010 às 1:02 Denunciar abuso

Marcio

Marcio says:

Pois é, o ruralista afirma que as 100 mil cabeças sempre estiveram lá, portanto a boi pirata alcançou no máximo 1% do rebanho. É um vexame a falta de controle da União e dos Estados sobre as áreas de proteção em todo o país, mais ainda na terra sem lei que é a Amazônia Legal. Séculos de queimadas e agora a completa descaracterização do Código Florestal num Congresso sem legitimidade e, ao contrário do que propaga, despreocupado com a realidade. Por isso deve-se ressaltar a resistência de Sérgio Leitão na verdadeira luta ambientalista pela preservação, pois no Brasil inexiste o debate lúcido, sempre prejudicado pelos interesses mesquinhos daqueles que se acham mais espertos do que a maioria. Cadeia neles!!!

Enviado 30 - ago - 2010 às 16:47 Denunciar abuso

1 - 9 de 9 resultados.

Postar um comentário 

Para postar um comentário, você precisa estar logado.

Entrar