Angra 3, teu nome é insegurança

Adicionar comentário
Notícia - 25 - jun - 2010
Ministério Público Federal recomenda suspensão de andamento da construção da usina Angra 3, liberada pelo governo sem análise adequada de segurança

Protesto chama a atenção para os perigos da construção de Angra 3 ©Greenpeace/Rodrigo Baleia

O governo federal pretendia construir a usina de Angra 3 sem analisar a segurança e as possibilidades de ocorrerem acidentes severos com a central nuclear. Para acabar com essa pretensão descabida, o Ministério Público Federal (MPF) de Angra dos Reis recomendou ontem à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) que suspenda os efeitos da licença de construção de Angra 3. Além da suspensão, o ministério solicitou que a Eletronuclear interrompa as obras.

Para o MPF, a irregularidade estaria no fato de não ter sido realizada a análise probabilística de segurança e acidentes severos, exigência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pela regulação do setor no mundo.

Apesar da inexistência do estudo, a CNEN fez vista grossa e autorizou a construção da usina com base apenas em um relatório preliminar de análise de segurança, documento considerado insuficiente pelo MPF.

A decisão do ministério se baseia nas normas da AIEA. De acordo com agência, o estudo deve ser elaborado antes da construção da usina e suas conclusões devem ser levadas em consideração pelo órgão que elabora e aprova o projeto. A CNEN solicitou a realização do estudo, mas autorizou a entrega somente após a construção.

Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", o procurador da República Fernando Lavieri, responsável pela recomendação, afirmou que "foge a qualquer critério de racionalidade admitir que estudos que devem ser considerados na aprovação/elaboração do projeto da usina sejam apresentados somente após sua construção".

Para André Amaral, responsável pela campanha de energia nuclear no Greenpeace, o problema detectado pelo MPF é o reflexo de um programa nuclear mal estruturado. "Todo esse descaso dos órgão responsáveis pela questão nuclear no Brasil impacta diretamente na seguranças das pessoas e do ambiente. É importante que o Ministério Público esteja atento e que a CNEN e a Eletronuclear aceitem as recomendações e levem em conta, pelo menos a partir de agora, as questões de segurança."

Em resposta, a CNEN se limitou a informar que recebeu a recomendação por fax e que ela será analisada pela área jurídica.

Saiba mais

Após 24 anos de polêmicas, a CNEN concedeu no dia 31 de maio licença definitiva para a construção de Angra 3 , a última autorização que faltava para o início efetivo das obras, orçadas em R$ 8,4 bilhões. Pelo visto a licença não terá vida longa. Com a recomendação do MPF, o mais provável é que a construção da usina seja suspensa até que um estudo completo de segurança e acidentes severos seja realizado. 

Tópicos
Nenhum comentário encontrado. Adicionar comentário

Postar um comentário 

Para postar um comentário, você precisa estar logado.