Aposta no passado

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Notícia - 1 - jun - 2010
Depois de 35 anos, o governo Lula cumpriu a ameaça e retirou o projeto da usina nuclear de Angra 3 da gaveta, em vez de preferir renováveis.

Protesto contra o investimento de dinheiro público em energia nuclear ©Greenpeace/Gilvan Barreto

No Diário Oficial da última segunda-feira, 31 de maio, saiu finalmente a autorização para dar início às obras da usina nuclear Angra 3. As empreiteiras e os militares e civis que controlam o programa nuclear brasileiro desde os tempos da ditadura, exultaram.

O resto dos brasileiros, infelizmente, tem pouco a celebrar. O país vai pagar muito por uma tecnologia ultrapassada, que gera rejeitos tóxicos para os quais ainda não se encontrou uma solução e é tocada por setores do governo que não gostam de transparência.

A Eletronuclear falava, inicialmente, em investimentos em Angra 3 da ordem de R$ 7 bilhões, agora já são R$ 9 bilhões. Angra 3 é um ótimo exemplo de indústria zumbi, ressuscitada à força quando deveria ter sido mantida no caixão. Seu reator foi desenhado nos anos 70, antes dos grandes acidentes nucleares de Chernobyl, Three Mile Island e outros tantos, que forçaram inclusive mudanças nos padrões de segurança dos reatores. Estamos colocando um calhambeque atômico no nosso quintal e pagando caro por ele.

Isso sem mencionar o problema do lixo nuclear. Construir outro reator implica em milhões de toneladas de resíduo radioativo, que é produzido nas diversas etapas da cadeia do combustível nuclear. Só na fase da mineração serão gerados mais de 6 milhões de toneladas .

Solução para esse lixo não existe em lugar algum no mundo. Mas alternativas a ele, sim. As energias renováveis, nas quais o governo deveria investir, são mantidas na gaveta por falta de vontade política. Hoje, o incentivo às fontes renováveis está no PL 630/03, empacado na Câmara dos Deputados e esquecido pelo governo e pelos parlamentares, que preferem empurrar para nossos filhos e netos a conta do lixo nuclear, empatando todos os esforços rumo a um desenvolvimento verde.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a licença de Angra é um marco. Para nós também. Marco de retrocesso. O sobrepreço da energia nuclear é paga pelo contribuinte, assim como os constantes déficits apresentados pela Eletronuclear. Para quem não sabe, o Brasil é o país com o segundo pior desempenho nuclear, perdendo apenas para o Paquistão. Para a CNEN, porém, Angra 3 é negócio. Como dona da INB e da NUCLEP, empresas que venderão combustível nuclear e peças, respectivamente, para Angra 3, o licenciamento do reator era óbvio, pois significa ampliação dos negócios e, consequentemente, lucro.

A licença de Angra 3 não poderia ser expedida por um órgão como a CNEN que, além de licenciar e fiscalizar, é responsável pela promoção da energia nuclear e tem interesses diretos com a construção de novos reatores. Fica claro que o interesse público não é considerado.

O avanço de Angra 3 somente corrobora a visão retrógrada que o governo Lula tem sobre o desenvolvimento do país. Ao permitir o avanço de projetos velhos, como Angra 3 e Belo Monte, Lula perde uma enorme oportunidade de avançar em alternativas energéticas que olham para um futuro condizente com as demandas sociais e ambientais do mundo de hoje. Favorecem-se, assim, as grandes empreiteiras em detrimento de uma nação inteira. Não há nada a comemorar.

Esse dinheiro deveria ser investido nas energias renováveis, que vêm conquistando o mercado internacional devido à relação custo versus benefício incomparável. Somente em 2009, a capacidade instalada de eólicas no mundo todo superou a quantidade nucleares instaladas nos últimos 15 anos. Nos últimos dez anos, foram desligados mais reatores nucleares do que instalados, em demonstração da decadência da indústria no mundo todo. Menos, agora sabe-se, no Brasil.

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aquecimentoglobal

aquecimentoglobal says:

"Creio fielmente que nada que contenha radiação deva ser produzido". Você jolibra estava em sã consciência quando escreveu isso? Acaso alguém de sua família sofre de câncer. Pelo jeito não. Sabe qual é uma das principais formas de combater o câncer? Radioterapia. Terapia por radiação. Radiação na medicina. Outra forma? Exame de Raios-X para diagnóstico médico. Raios-X? Aquela mesma radiação descoberta por Roentgen em 1895? Essa mesma. Sem contar o uso de outros exames como Tomografia, Fluoroscopia, Mamografia, e tantos outros usos na medicina nuclear. Já visitou alguma das áreas que fazem esse tipo de exame no hospital? Pelo jeito não. Mas se as visitasse perceberia que assim como as usinas nucleares, a radioproteção vem em primeiro lugar. E isso, cara amiga, traz benefícios para grande parte da população mundial.

Enviado 10 - jun - 2010 às 22:49 Denunciar abuso

jolibra

jolibra says:

Para Aquecimentoglobal.
Creio fielmente que nada que contenha radiação deva ser produzido. Nem uma Usina nem um micro equipamento. O mínimo risco de derramamento de dejetos nucleares já é incompatível com o benefício que a energia que Angra III pode produzir.
Prefiro 1.000 vezes economizar energia, usando-a de forma responsável. Construir Hidrelétricas ou usar energia aeólica do que ter essa Usina no meu quintal.
Temos que parar de sonhar com energias limpas e livres de dejetos e passar a construílas, não podemos esperar mais. Isso sim é um progresso.
Olhe pela sua janela do mesmo jeito que você afirma que o risco de um derramamento nuclear é mínimo, venta todo dia rs rs rs é muito difícil um dia que não tem vento...
A energia aeólica tem seus cuidados na hora de ser construída, a rota migraória dos pássaros deve ser respeitada. Existem lugares onde o vento é mais forte. Essas coisas devem ser avaliadas.
O progresso sempre está do nosso lado. Não é fazer o mais viável e sim fazer SEMPRE o mais correto, principalmente quando falamos de meio ambiente. Isso sim é o correto.
FAZER SEMPRE O QUE GERA MENOS IMPACTO NÃO O MAIS VIÁVEL
e isso meu amigo deveria ser uma lei.

Enviado 9 - jun - 2010 às 10:46 Denunciar abuso

aquecimentoglobal

aquecimentoglobal says:

A ideia de energia eólica é ótima. O que todo mundo sabe é que produz energia limpa. O que não é muito comentado é que gera um custo alto, altera a vorticidade dos ventos, mata pássaros, não funciona quando não há ventos, não podemos reservá-la caso falte vento e a solução para isso seria colocar uma termelétrica ao lado para suprir a demanda. Termelétrica? Essa não emite dióxido de carbono um dos gases estufa? Sim, triplicaremos o preço, pois deveríamos manter duas usinas e pagar pelo aquecimento global. A qualquer momento podemos chegar num ponto em que não bastará simplesmente parar de emitir dióxido de carbono na atmosfera. A iniciativa do governo é válida. Veja o que diz um economista da AIEA http://bit.ly/asNGMw . O medo causado por Chernobyl não explica o mesmo medo que não criamos com a indústria do petróleo e nem com os Rockefeller. Pensamos em energias alternativas em baixa escala. No patamar que estamos, não basta simplesmente pensarmos no que poderia ser melhor. Pensamos nos rejeitos radioativos não da mesma maneira da mancha de Petróleo no Golfo do México. Temos medo dos petroleiros? Pensamos em não deixar rejeito nuclear para nossos descendentes mas não nos preocupamos com o que eles vão respirar no futuro. Morreremos todos ou será que migraremos para os trópicos quando a onda quente finalmente nos atingir? Precisamos agir, sim, e rápido. Continuar pensando no passado e comparar nossas usinas com outras de diferentes tecnologias e épocas é cruzar os braços e dar um futuro melhor para nossos filhos: a não vinda deles.

Enviado 6 - jun - 2010 às 21:27 Denunciar abuso

SabrinaLS

SabrinaLS says:

concordo totalmente com o matheus ! porq nao construir mais usinas aeólicas ?!!!

Enviado 3 - jun - 2010 às 14:19 Denunciar abuso

matheusraddi

matheusraddi says:

Também sou contra o projeto da Angra 3. Mas vale esclarecer que as usinas aeólicas produzem muito menos energia e por isso são necessárias as construções de tantas delas. No entanto, se as aeólicas são realmente viáveis (até mesmo financeiramente), não há motivo para a construção de Angra 3.

Enviado 2 - jun - 2010 às 12:10 Denunciar abuso

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