Ativistas escalam prédio em protesto pelo Ártico

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Notícia - 11 - jul - 2013
Em Londres, seis escaladoras sobem no maior prédio da Europa ocidental em ação contra a Shell

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ativista escala o maior prédio de Londres em protesto contra a Shell (David Sandison / ©Greenpeace)

 

Um grupo de artistas e ativistas do Greenpeace driblou a segurança do maior edifício da europa ocidental, o Shard, e agora escalam as paredes do arranha-céu. Se as seis mulheres que formam o grupo alcançarem o topo, uma grande obra de arte mostrando as belezas do Ártico será exposta a 310 metros acima do solo.

O edifício Shard foi escolhido porque ele está entre os três principais escritórios da Shell em Londres, incluindo sua gigante sede na margem sul do rio Tâmisa. A Shell lidera o grupo de petrolíferas que se dirigem ao Ártico, investindo bilhões nos programas de perfuração propostos pela Rússia e Alasca. Um movimento de escala global de milhões de pessoas se levanta para impedi-los, mas a Shell se recusa a abandonar seus planos.

As voluntárias do Greenpeace começaram o protesto às 4 horas da manhã, e se houver sucesso – o que está longe de ser certeza – estima-se que a escalada tome a maior parte do dia. As escaladoras líderes praticam o “free climbing” (escalada sem auxílio de equipamento), mas instalam cordas de segurança durante o percurso. São elas que carregam as mochilas com uma obra de arte de dimensões enormes, que será instalada no topo do Shard no final desta tarde caso o topo seja alcançado.

A Shell realiza seu trabalho para além da sua sede nas margens do Tâmisa: as duas outras bases da empresa em Londres são a Shell Mex House, no edifício Strand e um escritório de dez andares no prédio Canary Wharf. O arranha-céu Shard fica localizado exatamento no meio destes três escritórios e foi planejado pelo arquiteto Renzo Piano como uma lasca de gelo fincada no chão, fazendo dele um cenário perfeito para uma instalação artística sobre o Ártico.

As escaladoras estão transmitindo em tempo real imagens feitas por câmeras em seus capacetes, com lentes de olho de pássaro. Se o objetivo for alcançado, será a instalação artística de maior altura desde o projeto de Philippe Petit, equilibrista que atravessou em 1974 as torres do World Trade Center, antigo prédio de Nova York, caminhando apenas sobre uma corda que ligava as duas torres gêmeas.

Veja a galeria de imagens:

Uma das escaladoras chama-se Victoria Henry, 32 anos, uma canadense que mora em Hackney, Londres. Antes da escalada, ela disse: “Nós tentaremos instalar uma grande obra de arte a 310 metros de altura, o que fará a Shell pensar duas vezes antes de enviar plataformas ao Ártico. Será um trabalho pesado, um verdadeiro desafio para todos nós, no qual talvez não tenhamos sucesso, mas estamos dispostos a fazer de tudo para chegar ao topo. Milhões de pessoas alertaram a Shell para que ela se retire do Ártico, mas eles continuam a tentar perfurar de qualquer maneira. Chegando ao topo, será possível ver os três escritórios da Shell abaixo de nós, o que significa que eles também poderão nos ver. Talvez aí eles parem de ignorar esse movimento que se levanta contra eles.”

A Shell investiu US$ 5 bi no programa de exploração do Ártico, mas após uma série de vergonhosas falhas, como uma plataforma naufragada e um incêndio num navio de perfuração, foi forçada a abandonar seus planos de exploração de petróleo na costa do Alasca. Ainda assim a empresa acaba de assinar um acordo direto com Vladimir Putin, presidente da Rússia, e a gigante petrolífera estatal Gazprom para perfurar o Ártico russo, região onde as regulamentações são ineficientes e os acidentes, comuns.

“Não é possível perfurar o Ártico com segurança, um vazamento poderia arruinar a região. Sem contar que as plataformas de petróleo estão se deslocando para áreas antes naturalmente congeladas. É por isso que escalo esse arranha-céu entre os três grandes escritórios da Shell, porque eles querem perfurar para conseguir combustíveis que colaboram diretamente com o degelo do polo Norte. É loucura. Estamos demarcando uma linha para dizer às companhias de petróleo: ‘daqui vocês não passam!’”, afirmou a escaladora sueca Sandra Lamborn, de 29 anos.

As mulheres que formam o grupo de escaladores vêm do Reino Unido, Canadá, Suécia, Polônia, Holanda e Bélgica. O Greenpeace trabalha para transformar o Ártico em um santuário global, isolado principalmente do avanço da indústria. Mais de três milhões de pessoas se juntaram à causa.

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