BR-163: a rota do descaso

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Notícia - 28 - mar - 2012
Enquanto asfalto avançou, ações do governo para evitar o aumento do desmatamento ao longo da rodovia não saíram do papel

Ligando o Mato Grosso ao Pará, a BR-163 é um dos maiores vetores de desmatameto na Amazônia. (©Greenpeace/Daniel Beltrá)

A BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), já está quase toda pavimentada. Mas o plano montado para evitar as consequências negativas da obra, especialmente o aumento do desmatamento em seu entorno, mal saiu do papel. Essa é a pauta de uma discussão feita hoje a bordo do navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, em Santarém, junto com o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA).

O objetivo é unir organizações e lideranças comunitárias para debater os pontos que ainda não foram postos em prática do Plano BR-163 Sustentável e discutir ações para pressionar o governo pelo seu efetivo cumprimento.

Obras de infraestrutura são grandes indutores de desmatamento e violência na Amazônia. Para fugir desse cenário, há oito anos, quando anunciou a retomada do asfaltamento da estrada, o governo reuniu 17 ministérios e fez inúmeras consultas às organizações locais para montar esse plano, que tinha como objetivo evitar que o asfaltamento e a esperada migração de populações para a região resultassem na derrubada de grandes parcelas de floresta e conflitos fundiários.

No entanto, em janeiro, o GTA divulgou um estudo no qual mostra que apenas 43% das ações previstas no plano foram executadas, 18% estão em execução e 39% não foram sequer iniciadas. Enquanto isso, 79% dos trabalhos de asfaltamento da estrada já foram finalizados pelo governo, que previu a sua conclusão em dezembro de 2013.

Esse é um exemplo de como a agenda ambiental é continuamente deixada em segundo plano, mesmo quando o próprio governo é seu mentor. “O governo desrespeita e atropela suas próprias regras. Além de não cumprir com seu compromisso, ainda reverte medidas que já tinham sido conquistadas no passado. É um passo para frente e dois para trás”, afirma Tatiana de Carvalho, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

As unidades de conservação criadas no entorno da rodovia, parte do projeto da BR-163, ainda não foram implementadas – apenas quatro das 12 criadas têm plano de manejo. Apesar disso, o governo faz o contrário do que prometeu: em vez de tirá-las do papel, reduz os limites de algumas e ainda pode reduzir a proteção no seu entorno por meio do novo Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional.

“As unidades de conservação são fundamentais para a manutenção da biodiversidade e para a subsistência de extrativistas e agricultores familiares que vivem no entorno da estrada”, diz Carvalho. “A Lei do Desmatamento Zero é necessária para evitar que a floresta - e quem depende dela - seja permanentemente preterida, não importa quem esteja à frente do país.”

Histórico de devastação

Às margens da BR-163, campos de soja, criação de gado e extração ilegal de madeira se alastram sobre a floresta, como os principais causadores da devastação.

 

Com 1,7 mil quilômetros de extensão, a rodovia BR-163 foi projetada para ser uma das principais vias de escoamento da produção de grãos na região. A estrada atravessa uma das áreas mais ricas do país em recursos naturais e potencial econômico. Importantes bacias hidrográficas, como a dos rios Amazonas, Xingu e Teles Pires-Tapajós também estão ali. Hoje, ela é rota para a degradação da Amazônia.

A rodovia foi aberta nos anos de 1970 pela ditadura militar para integrar a Amazônia à economia nacional, mas atualmente ela é um os principais vetores de desmatamento da Amazônia. “O que ocorre na prática é um forte processo de fragmentação florestal, que concentra altas taxas de desmatamento, tendo o gado, a soja e a retirada de madeira ilegal como os principais causadores”, explica Carvalho.

Segundo o Plano BR-163 Sustentável, a área de influência da rodovia é de 1,2 milhão de quilômetros quadrados – 14,4% do território nacional e 20% da Amazônia brasileira. Nessa área estão localizados 71 municípios cuja economia se baseia em atividades do setor primário – agricultura, pecuária e extrativismo, principalmente de madeira.

Se você é contra essa barbárie, assine a petição pela lei do Desmatamento Zero no Brasil.

Assine a petição.

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4 Comentários Adicionar comentário

(Não registado) Evandro Maximino says:

Sim realmente temos todos de lutar para o meio ambiente principalmente quanto a melhorias nas estradas e logisticas no Brasil. E essa rodovia é ...

Enviado 14 - ago - 2012 às 17:55 Denunciar abuso Reply

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Dimello says:

Incrível !!!!!!!!!! As madereiras usando o asfalto criado para escoar a produção oriunda do desmatamento, isso debaixo do nariz do governo, acorda Presidente Dilma.

Enviado 11 - abr - 2012 às 0:11 Denunciar abuso Reply

(Não registado) MARIA DALVANIR says:

GGreenpeace:Gardiões protetores,da Amazoñia,
RRainbow Warrior:Gigante a refereñcia a sustentabilidade
EEvitando:As explorac...

Enviado 28 - mar - 2012 às 22:29 Denunciar abuso Reply

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(Não registado) CamilaM. says:

Estive hoje pela manhã no Rainbow Warrior. Foi uma experiencia unica. Espero ter outras oportunidades como esta, e quem sabe, um dia, me tornar u...

Enviado 28 - mar - 2012 às 13:37 Denunciar abuso Reply

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