Comportamento radioativo

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Notícia - 1 - jun - 2010
Com os mesmos personagens que mexeram na questão nuclear durante os governos Geisel e Sarney e a mesma falta de transparência, Lula embica o país num rumo perigoso.

Protesto contra energia nuclear em São Paulo em 2009 ©Greenpeace/Vivi Zanatta

O Brasil entrou na querela envolvendo o Irã como parte da estratégia que o governo Lula montou para fazer do país uma potência atômica. A primeira etapa dessa estratégia se deu pela contestação do Itamaraty a adesão ao Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), escorada nas argumentações do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, hoje Ministro de Assuntos Estratégicos. “A reserva brasileira ou a ausência do Brasil de qualquer negociação não provocará nada de arrasador para o Brasil (como a recusa da Índia em aderir ao TNP demonstra cabalmente )”, escreveu Guimarães em seu livro "Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes" (editora Contraponto).

A segunda etapa se deu com a celebração de termos de cooperação para transferência de material nuclear e tecnologia com a Rússia, Índia, China, França e Turquia, que permitem ao país estabelecer as bases de um fecundo mercado para exportar urânio, do qual possuímos uma das maiores jazidas do mundo. A terceira se relaciona com a reativação do nosso Programa Nuclear, com a construção da usina de Angra 3 e a intenção de instalar outras no Nordeste.

O dinheiro empregado na sua construção e funcionamento permitirá a lubrificação de todas as engrenagens desse programa, a começar pelo estímulo para a formação de novos técnicos na área. Isso, sem falar que a cada usina que construímos aumentamos o volume de urânio que produzimos, aumentando o saldo com que esperamos entrar definitivamente como sócio no Clube Atômico.

Por fim, o uso da tecnologia nuclear para fins militares. A Estratégia Nacional de Defesa lançada em 2008, afirma: “Independência nacional, alcançada pela capacitação tecnológica autônoma, inclusive nos estratégicos setores espacial, cibernético e nuclear. Não é independente quem não tem o domínio das tecnologias sensíveis, tanto para a defesa como para o desenvolvimento”. Embora a Constituição diga que toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos, o assunto está longe de ser considerado um tabu. O vice-presidente José Alencar se disse a favor do Brasil possuir a bomba atômica como "fator de dissuasão" e "para dar mais respeitabilidade ao país".

O problema é que o enredo e os atores não são novos. Tínhamos ao final da ditadura um programa nuclear paralelo, que continuou a operar durante o governo Sarney, abrigado no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), chefiado por Renato Archer. Archer, em seu livro "Energia atômica, soberania e desenvolvimento", conta que a "figura central da história do programa paralelo é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva", atual presidente da Eletronuclear, responsável pela construção de Angra 3.

Trabalharam com Archer no MCT o atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, Secretário Executivo do ministério, e o ministro Celso Amorim, que foi Secretário de Relações Internacionais.

A estrutura do setor nuclear é a mesma da ditadura, com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) exercendo o papel de fiscalizar, ao mesmo tempo em que fomenta o uso da energia nuclear. Isso nos deixa na companhia do Irã e do Paquistão, únicos países onde isso ainda ocorre. Formar um eixo com o Irã e o Paquistão na área nuclear não deveria fazer parte do nosso ideário de liderança.

Os personagens desse programa, que não se renovaram, abdicaram de suas práticas secretas e se renderam ao primado do poder civil? O governo reconhece a relevância do controle da sociedade, a ser exercido pelo Congresso Nacional? Com esse déficit de transparência, como o governo espera vencer a arrogância americana de ser o único árbitro das contendas atômicas?

Só o debate democrático, calcado em ampla informação, permitirá à sociedade tomar conhecimento dos problemas do uso da energia atômica, que, como denuncia o Greenpeace, além de ser mais cara do que as outras fontes, como a hídrica, é cronicamente insegura, porque não há solução viável para a destinação do seu lixo, sem falar no pesadelo do seu uso para fins militares.

Sem isso, vale o que disse o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil em 1953: "Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo."

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aquecimentoglobal

aquecimentoglobal says:

Ainda acham que há tempo?

http://bit.ly/d9FXgo

Enviado 14 - jun - 2010 às 0:32 Denunciar abuso

leoziin

leoziin says:

aff tiu o bagulho ai ta loko sabe pk ?
é pk o barato ta radiando td mermao ''descuulpe fala assim mas'':puta que los parill's eim?

Enviado 9 - jun - 2010 às 16:51 Denunciar abuso

aquecimentoglobal

aquecimentoglobal says:

Por acaso chegamos ao ponto nos preocuparmos mais em tentar sanar a "arrogância americana" e esquecemos de nosso país? Por acaso ouvimos a voz de um estrangeiro e deixamos de mirar nossos pavilhões auditivos ao nosso povo heroico, bravo e retumbante que clama por oportunidades, saúde, igualdade? O Brasil está se tornando uma potência mundial e sua influência pisa no calo de alguns países como EUA que perde sua hegemonia quando nos vê, povo brasileiro, dando a cara ao mundo e mostrando que somos tão competentes quanto eles. Infelizmente só vê isso quem não acha que a corrupção é normal e que sempre será assim. Só não vê isso quem ri das piadas de corrupção e quem se assume palhaço em protestos no planalto central. Reclamamos dos nossos governantes, mas não estávamos lá para mostrar suas verdadeiras faces à nossa população que sofre pela falta de conhecimento. Criticamos agora as personalidades influentes em nosso país e não estávamos lá quando estas se elegeram. Chorar pela irresponsabilidade derramada não fará com que o desenvolvimento transpareça. Outro ponto importante comentado foi o medo da energia nuclear para fins bélicos. O enriquecimento de urânio para uma bomba atômica é de 90% contra os 3 a 8% de uma termonuclear. Estamos presos ao passado e esquecemos das verdades inconvenientes. Oppenheimer, com sua famosa frase, talvez tenha se esquecido que pessoas com câncer são curadas pela radioterapia ou tavez este seja um trauma devido ao seu câncer de garganta, causa de sua morte.

Enviado 6 - jun - 2010 às 22:16 Denunciar abuso

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