Compromisso zero

3 comentários
Notícia - 22 - jun - 2012
O documento da Rio+20 é desprovido de ambição, metas e datas. É o típico texto que todo governo exalta, pois não exige nenhum compromisso

Evento oficial da ONU no Rio Centro, zona Oeste do Rio - distante fisicamente da Cúpula dos Povos, mas também dos desejos da população. (©Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Duas conferências aconteceram no Rio em junho. Uma festiva, colorida, cheia de ideias para um futuro mais justo, mais verde e mais equilibrado, na Cúpula dos Povos. Outra sisuda, gelada, entre paredes sem janelas.

A última deveria indicar o caminho para o futuro que queremos. Mas nem chegou perto da realidade.

“Nós cobramos compromissos e ações urgentes. Eles nos entregaram omissão e inércia. Deram as costas para os problemas do mundo e principalmente das populações mais vulneráveis”, afirma Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace Brasil. “Nossos líderes se mostraram menores do que os problemas que temos de enfrentar.”

O documento da Rio+20 é desprovido de ambição, metas e datas. É o típico texto que todo governo exalta, pois não exige nenhum compromisso. Qualquer habitante do planeta que leia esse texto e busque ali uma esperança para um futuro mais verde e mais justo se frustrará entre tantas palavras dúbias e vazias.

Leia mais:

O governo brasileiro, que liderou as negociações, mostrou sua verdadeira face para o mundo ao comemorar que fechou um texto – mesmo sem conteúdo. E Dilma Rousseff ainda destacou, como grande realização, evitar um retrocesso em relação à ECO-92. No momento em que o planeta se encontra, com recursos naturais consumidos num ritmo mais alto do que permite sua recuperação, com crise de empregos sustentáveis para jovens e mais desigual, a fala da presidente é no mínimo uma disfunção cognitiva.

Mais de 190 países mandaram representantes para o Rio para buscar soluções para problemas ambientais e sociais, não para exaltarem as belezas da cidade – como muitos fizeram em suas falas na conferência. E, depois de usarem o palco montado pelo Brasil, voltam para seus países com um sorriso no rosto, enquanto suas populações continuam sem comida, sem justiça e sem um ambiente saudável para viverem. 

3 Comentários Adicionar comentário

vnmare says:

Brasil perdeu 80 por cento de seus recifes de corais

http://diarioliberdade.org/brasil/consumo-e-meio-natural/32224-brasil-perdeu-80-por...

Enviado 24 - out - 2012 às 23:06 Denunciar abuso Reply

Read more Read less

(Não registado) says:

este site e maravilhoso parabens.

Enviado 11 - out - 2012 às 1:15 Denunciar abuso Reply

vnmare says:

http://br.reuters.com/article/domesticNews/idBRSPE87808220120809

ESPECIAL-Brasil retrocede na proteção à Amazônia

Ivo Lubrinna vem extraindo ouro há mais de 30 anos da floresta em Itaituba, no Pará. É uma atividade notoriamente suja, já que as equipes removem uma camada de solo na floresta, e ao longo de margens de rio, e usam mercúrio e outros poluentes para retirar o metal precioso da lama.

Nos últimos anos, Lubrinna passou a ter um segundo emprego: secretário de Meio Ambiente dessa cidade de 100 mil habitantes...

Enviado 9 - ago - 2012 às 20:06 Denunciar abuso Reply

1 - 3 de 3 resultados.

Postar um comentário 

Para postar um comentário, você precisa estar logado.