Zerar o desmatamento é possível

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Notícia - 22 - out - 2010
Ao contrário do que pensam Dilma e Serra, zerar o desmatamento não é um sonho. É uma política para tornar o Brasil um exemplo e garantir sua prosperidade futura.

Greenpeace / Daniel Beltra

Na quarta-feira, dia 21 de outubro, depois de se recusar a assinar um pedido do Greenpeace de comprometimento com o desmatamento zero, a candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, chamou a proposta de demagógica. No dia seguinte, José Serra, do PSDB, imitou sua adversária e negou-se a assinar o pedido do Greenpeace. Afirmou que precisaria analisar o documento, que não tem mais do que quatro linhas.

Dilma, depois de olhar o papel e não assiná-lo, disse que está empenhada em reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% (não mencionou os outros biomas) e reiterou que não assina “qualquer compromisso que botam na minha frente”. Achou, aliás, a atitude das ativistas do Greenpeace desrespeitosa. Não houve qualquer intenção de desrespeito. Apenas a defesa de um ponto de vista – como a própria candidata reconheceu ao pedir aos militantes do seu partido que deixassem as ativistas se manifestarem.

Exigir o compromisso do país com o desmatamento zero também não tem nada de demagógico e não é uma coisa qualquer. Trata-se de uma visão que tem todas as condições de virar realidade. Ela transformaria o Brasil de uma vez por todas num país do século 21, capaz de servir de exemplo para outras nações em todo o mundo. A política de desmatamento zero protegeria definitivamente o muito que ainda temos de biodiversidade e recursos naturais.

Também contribuiria de maneira fundamental para reduzir as emissões brasileiras de gases que causam o aquecimento global. De quebra, geraria renda e emprego de qualidade nas atividades de conservação, vigilância e uso sustentável dos produtos florestais. O próprio governo, aliás, conhece o lado ruim da destruição das florestas (basta ler seu próprio plano de combate ao desmatamento, o PPCDAM).

Salvar floresta garante economia

A recusa de Dilma e Serra em assinar o compromisso contraria ainda o entendimento de importantes setores da economia nacional, como a indústria da soja e os maiores frigoríficos do país, que já incorporaram o esforço de acabar com o desmatamento em suas cadeias de produção. Afinal de contas, já existem áreas desmatadas suficientes no Brasil para que a produção agropecuária se expanda sem que seja necessário avançar sobre as florestas.

Os setores mais avançados do agronegócio sabem muito bem que o Brasil tem todas as condições de consolidar sua atual posição de potência agrícola – e conquistar cada vez mais mercados externos – sem precisar derrubar mais uma árvore. Para tanto, bastam respeito à lei e investimentos em produtividade.

O desmatamento zero busca assegurar a conservação das nossas florestas devido a sua crucial importância na manutenção do equilíbrio climático, da conservação da biodiversidade e da preservação do modo de vida de milhões de pessoas que dependem dela para sobreviver. Uma política de desmatamento zero não impede que árvores sejam cortadas e utilizadas. O que ela se propõe a acabar é com o corte raso e a degradação de grandes extensões de mata, um problema que acompanha o país desde o descobrimento e que ainda assola a Amazônia e o cerrado.

O objetivo de uma política de desmatamento zero é dar corpo a uma gestão cuidadosa da floresta que ainda existe, com o estabelecimento de todo o remanescente como reserva florestal nacional, com exceção dos que se encontram em propriedades particulares e em casos que envolvam populações tradicionais e indígenas. A meta de obter uma redução de 80% do desmatamento até 2020, com relação à média do corte registrado entre 1996 e 2005, prometida pelo presidente Lula e endossada pela sua candidata, é insuficiente.

Reduzir emissões

À luz da atual crise climática global, permitir a derrubada de 20% de mata em relação à média do período significa muito mais do que “ter sempre alguém cortando alguma coisa”. O presidente precisa botar seus assessores para fazer contas. Estima-se que em cada quilômetro quadrado da floresta amazônica, para ficarmos apenas em um exemplo, existam entre 45 mil e 55 mil árvores com mais de dez centímetros de diâmetro.

A lógica presidencial, que admite que o Brasil continue derrubando cerca de 3.900 km2 da Amazônia em 2020, significa que o país perderá, apenas naquele ano, entre 175 milhões e 215 milhões de árvores. Isto está longe de ser um pauzinho qualquer. A diferença entre a proposta do Greenpeace de zerar o desmatamento em 2015 e a de Lula e Dilma – Serra não deixa claro qual é a sua – de permitir 20% de desmatamento em 2020, equivale a aceitar que nesse intervalo de cinco anos o Brasil perderá entre 800 milhões e 1 bilhão de árvores na Amazônia.

Francamente, é um número inaceitável. Como por sinal parecia ser inaceitável para o próprio Lula no ano passado. Em junho de 2009, em Alta Floresta (MT), ele disse que “se houve um momento em que a gente podia desmatar, agora desmatar joga contra a gente e vai nos prejudicar no futuro. Hoje, em vez de dizer que não pode cortar árvore, nós temos de incentivar e pagar para as pessoas plantarem árvores", afirmou.

Além de ser a forma mais barata e rápida de combater as mudanças climáticas, zerar o desmatamento é fundamental para o desenvolvimento econômico do país no longo prazo. As chuvas produzidas pelas grandes massas florestais que ainda existem em nosso território e as matas que protegem as margens de rios em todo o país nos defendem de enchentes e são importantes para a geração de energia, a produção de alimentos e o abastecimento de água no Brasil.

Ter como meta resguardar o que ainda nos resta de matas é buscar um futuro melhor para as gerações de brasileiros que virão. O Greenpeace se coloca à disposição de Dilma, e de seu adversário, Serra, para esclarecer quaisquer dúvidas que ambos tenham sobre o conceito de desmatamento zero, a fim de construir um Brasil mais sustentável, justo e de fato inserido no esforço global contra as mudanças do clima.

E, apenas para ajudá-los na sua reflexão sobre esse futuro, não custa lembrar que o Brasil já perdeu mais de 700 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica nas últimas quatro décadas. Nessa área, entre 33 bilhões e 41 bilhões de árvores viraram fumaça, ajudando a transformar o Brasil no quarto maior emissor mundial de gases que provocam o aquecimento global.

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@jefzlopes

@jefzlopes says:

Desenvolvimento sustentável não é e nunca será uma utopia. Temos todos os artifícios do mundo pra ser o país mais limpo do mundo. Não entendo esse medo constante dos governantes em investir macissamente em energia renováveis e zerar o desmatamento. Eles vêem lucro em derrubar árvores, levar vários animais em extinções, poluir rios... O Serra fala tanto em saúde e esquece que é da água poluida a maioria das doenças. a Dilma nunca foi uma ambientalista e quase sempre nunca tocava no assunto, e na COP 15 resolveu se pronunciar. Ambos parecem não ter conhecimento do futuro.

Enviado 30 - out - 2010 às 23:08 Denunciar abuso

leonardolaporte

leonardolaporte says:

A Lei deve ser mais severa para o desmatamento e os culpados por tamanha crueldade com a natureza deviam ser presos para sempre.

Isto tudo por causa de um país corrupto que visa tão somente o lucro com as madeiras que são retiradas das nossas florestas. Eu acredito que existam meios sustentáveis de vivermos neste planeta sem que sejam destruídas tantas árvores.

Ao não assinar o documento do Greenpeace os próprios candidatos já auto-declararam que poderão ganhar algo com o desmatamento.

Enviado 30 - out - 2010 às 19:47 Denunciar abuso

Dennis

Dennis says:

Alguns setores da esquerda no Brasil, diga-se esquerdistas, e até setores da direita(leia-se ruralistas, etc), falam que as demandas do Greenpeace são suportadas/bancadas por instituições de países desenvolvidos, "contra o desenvolvimento" do Brasil. Gostaria que a Diretoria do Greenpeace Brasil se pronunciasse a respeito disso, e coloca-se bem claramente a figura do Greenpeace no Brasil e no Mundo para que nossa sociedade ficasse bem ciente das propostas desta instituição. E peço também mostrasse que seus propósitos vão além de partidos políticos, corporações, etc!

Enviado 28 - out - 2010 às 12:15 Denunciar abuso

RicardoCL

RicardoCL says:

Além de o Serra também não ter assinado o compromisso exigido pelo Greenpeace, ele faz demagogia com a questão. Acabei de elogiar que ambos não assinaram o documento movidos pelo vale tudo, no calor de um ato político, e no dia seguinte ele fala para toda a população (entre " ", pq audiência do debate é medíocre), que possui compromisso com o desmatamento zero.
Além disso, tem como seus principais aliados os setores que históricamente mais desmataram as florestas brasileiras, como o DEM/PFL/ARENA, agrobussines, grandes latifundiários/roundap/transgênicos, etc.
Haja vista que no primeiro turno os estados em que o Serra obteve mais votos que a Dilma, são justamente os estados onde quem da as cartas são os grandes proprietários de terra.
Natureza não pode ser objeto de demagogia. Pior do que não assumir, é manipular esta questão tão importante.

Enviado 26 - out - 2010 às 8:38 Denunciar abuso

RicardoCL

RicardoCL says:

Acho que o desmatamento zero deve ser uma meta, além de o considerar possível, ao menos no universo estatístico. Concordo com a estratégia utilizada pelo Greenpeace enquanto método para publicização da questão para a sociedade mais abrangente, no entanto acho que surte muito pouco efeito como objetivo de obter o compromisso formal dos presidenciáveis. Ainda bem que, diferente de outros tempos onde valia tudo, nenhum dos presidenciáveis assinou um documento arremessado sobre o seus colo no calor de um ato político.
Incentivo a organização a montar acampamento, desde já, em frente ao executivo, na intenção de serem recebidos para construir as alternativas que conduzam ao desmatamento zero estatístico.

Enviado 26 - out - 2010 às 8:29 Denunciar abuso

FFROTA

FFROTA says:

O Serra se comprometeu no debate com o desmatamento zero, em quanto a Dilma alegou durante da campanha que reduzirá o desmatamento em 80%.
Eu voto no Serra por que, além de ser mais capaz, acredito que ele vai estar mais engajado na causa ambiental do que a Dilma. Agora temos como exigir dele o cumprimento do desmatamento zero.
(desmatamento ilegal)
abs

Enviado 26 - out - 2010 às 4:25 Denunciar abuso

rodolfo.novas

rodolfo.novas says:

Força galera, um dia vamos vencer essa luta!!!

Enviado 26 - out - 2010 às 1:28 Denunciar abuso

Vivi Lacerda

Vivi Lacerda says:

Sustentabilidade não é uma utopia, e sim uma necessidade! Esses novos governantes brasileiros tem que assumir a responsabilidade de acabar com o desmantamento, e não apenas da Amazônia, dos outros biomas também, pois da forma com está a humanidade não será capaz de sobreviver. Nós necessitamos da natureza para viver e não é possível que os canditatos ainda não saibam disso. Eu apoio totalmente o Greepeace.

Enviado 24 - out - 2010 às 20:35 Denunciar abuso

Corisco

Corisco says:

Eu acho que é possível zerar o desmatamento, sim. Mas, primeiro é preciso interesse do povo e dos governantes!

O monitoramento por satélite facilitou muito a fiscalização. Aliado a isso, o número de fiscais também aumentou. E, se não me engano, houve reduções significativas no desmatamento este ano (pelo menos é que mostram os jornais).

Mas também reconheço que apenas monitorar e prender não é eficiente, basta pensar no tráfico de drogas. Concordo com o que vem sendo dito: é preciso criar empregos voltados pra manutençao da floresta. O ecoturismo é um exemplo.

Enviado 24 - out - 2010 às 17:21 Denunciar abuso

Simara

Simara says:

Com certeza o Brazil, assim como outros países, tem que começar a priorizar o meio ambiente em prol de evitar as mudanças climáticas. Mas não entendo como isso seria exatamente possível, por exemplo, quando se trata do desmatamento das nossas florestas. Como monitorar e impedir? O Brazil teria condições disso? Como o desmatamente zero pode vir a ser nossa realidade? Interesso-me muito pelo assunto e gostaria de entender melhor nossas possibilidades. Agradeço a atenção.

Enviado 24 - out - 2010 às 0:15 Denunciar abuso

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