Greenpeace retoma protesto no Maranhão

1 comentário
Notícia - 26 - mai - 2012
Sem resposta concreta da indústria do ferro gusa e com a decisão de Dilma de manter um Código Florestal esvaziado, ativistas ocupam porto de Itaqui

Ativistas do Greenpeace a bordo do Rainbow Warrior retomaram, na manhã deste sábado, os protestos para impedir que o navio Clipper Hopper carregue 31,5 mil toneladas de ferro gusa no Porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão. (©Greenpeace/Rodrigo Paiva)

Quarenta e oito horas depois de ter interrompido o bloqueio de dez dias ao navio Clipper Hope, que impedia-o de carregar 31 mil toneladas de ferro gusa em São Luis (MA), o Greenpeace voltou a protestar na manhã deste sábado.

Em ação pacífica envolvendo o navio Rainbow Warrior, um time de 14 ativistas chegou em botes ao Porto de Itaqui, onde ocupou uma pilha de ferro gusa pronta para ser carregada e um guindaste. Os ativistas estenderam a faixa “Amazônia vira carvão. Brasil, desliga a motosserra”. O navio Rainbow Warrior também bloqueou o Clipper Hope, impedindo sua movimentação. Alguns ativistas também ocuparam o cargueiro.

Investigação do Greenpeace divulgada no dia 14 mostra que algumas carvoarias que alimentam siderúrgicas da região amazônica do Pará e do Maranhão têm envolvimento com extração ilegal de madeira, trabalho análogo ao escravo e invasão de terras indígenas.

O longo bloqueio ao Clipper Hope havia sido suspenso na manhã de quinta-feira, 24, antes de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, com representantes do parlamento e da indústria do gusa. Como um gesto de boa vontade e para dar tempo de as empresas apresentarem uma resposta às denúncias de irregularidades no setor e se comprometerem com soluções, os ativistas desbloquearam o navio. A resposta, porém, não veio.

Na sexta-feira, um outro sinal negativo veio de Brasília. No Planalto, três ministros anunciaram a decisão de Dilma Rousseff sobre o novo Código Florestal. Ignorando o apelo de milhões de brasileiros, a presidente não vetou na íntegra o projeto aprovado pelo Congresso. E o governo sequer deu detalhes de quais seriam as mudanças na lei.

“Com tanta conversa sem resultado, resolvemos agir. Ações falam mais que palavras. Tanto no caso do ferro gusa quanto no do Código Florestal, a postura do governo Dilma é a mesma: omissão”, critica Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace. “O governo assistiu em silêncio a legislação ser retalhada pela bancada ruralista no Congresso. E, da mesma maneira, continua fechando os olhos enquanto uma parte da Amazônia vira carvão para alimentar a indústria de ferro gusa.” 

A menos de um mês da Rio +20, o governo carrega uma extensa lista de omissões na área ambiental. Em um ano e meio na presidência, Dilma não criou uma única unidade de conservação no país, mas já permitiu que várias tivessem seu tamanho alterado, inclusive para que grandes projetos hidrelétricos pudessem se instalar na Amazônia. Sob sua gestão, o Ibama perdeu poderes de fiscalização e a bancada ruralista segue sem freios atacando leis ambientais e trabalhistas.

“O Brasil está jogando no lixo a oportunidade única de ser o primeiro país a virar potência sem destruir a maior parte de suas florestas. Enquanto Dilma não se fizer presente na Amazônia e no Congresso, os crimes ambientais e sociais vão continuar impedindo que o Brasil, que é a sexta economia do mundo, possa ser chamado de moderno”, diz Adario. “O primeiro passo para esse título é o fim do desmatamento no país.”

Em fins de março, o Greenpeace lançou uma campanha nacional pelo Desmatamento Zero, apoiada por movimentos sociais – como Via Campesina e sindicatos de trabalhadores rurais da Amazônia –, organizações indígenas e quilombolas, entidades ambientalistas e artistas. Mais de 285 mil pessoas já assinaram por uma lei de iniciativa popular pelo fim do desmatamento. Quando 1,4 milhão de assinaturas forem recolhidas, o projeto será encaminhado ao Congresso.

Assine a petição.

Tópicos
1 comentário Adicionar comentário

eros_lee says:

Foi muito FODA... valeu a todos que participaram.

Valeu mesmo \,,/
Juntos, somos mais.

Enviado 26 - mai - 2012 às 16:02 Denunciar abuso Reply

Postar um comentário 

Para postar um comentário, você precisa estar logado.