Notícia - 19 - jul - 2010
Arctic Sunrise, navio do Greenpeace, chega agora aos Estados Unidos para monitar os prejuízos do vazammento de óleo no Golfo do México. Buraco está parcialmente fechado.
O Artic Sunrise vai ao Golfo do México monitar as consequências do vazamento de óleo. ©Greenpeace/Alexandre Cappi
Com a perspectiva, ainda não confirmada, de que finalmente o vazamento de petróleo no Golfo do México tenha sido estancado, é chegada a hora de contabilizar prejuízos. O Artic Sunrise, um dos navios do Greenpeace, chega aos Estados Unidos, onde passará os próximos meses investigando e documentando os impactos do maior acidente ambiental da história do país.
A bordo do navio, pesquisadores vão monitorar as consequências do vazamento para peixes, algas, baleias, recifes, tartarugas e aves marinhas da região do Golfo. Os cientistas usarão esponjas - organismos marinhos que vivem de filtrar a água, como indicadores da qualidade do mar e realizarão pesquisa com animais encontrados mortos, ou sobreviventes contaminados pela mancha negra.
No Golfo do México, a expectativa quanto ao fechamento do buraco é digna de filmes de suspense. Após três meses e cerca de 60 mil galões – o equivalente a 10 milhões de litros – de vazamento de óleo por dia, a BP garante ter fechado a tampa do buraco usando uma espécie de rolha, embora as incertezas sobre se o equipamento será suficiente para conter a pressão do buraco possam levar à sua retirada. O governo americano deu 24 horas à empresa britânica para garantir a segurança da empreitada.
“Não podemos esquecer que fechar o buraco não acaba com o problema”, lembra Philip Radford, Diretor Executivo do Greenpeace USA. “Os milhares de galões de óleo que já vazaram comprometerão seriamente a vida selvagem, os ecossistemas, a indústria da pesca e nossos oceanos por décadas. Precisamos saber a extensão verdadeira desta catástrofe, assim como as razões para que tenha acontecido. Só assim poderemos garantir que não acontecerá novamente”, garante Radford.
O Arctic Sunrise, parte da frota do Greenpeace desde 1995, é um barco quebra-gelo de 50 metros de comprimento acostumado a realizar missões em regiões inóspitas como o Ártico e o oceano Antártico. “Desejamos que a passagem de nosso navio pelo Golfo do México ajude a passar a mensagem dos prejuízos que nossa atual política energética vem trazendo para o ambiente”, diz John Hocevar, coordenador da Campanha de Oceanos nos Estados Unidos.
O Greenpeace demanda moratória de exploração de petróleo em alto mar, parcialmente concedida pelo governo do presidente Obama e aceita também pelos comissários da União Europeia.
Nossa equipe no Golfo do México, desde o começo do desastre, vem documentando o cenário através de fotos e relatos. Veja abaixo galeria de fotos e textos publicados em nosso site e blog:
A mancha negra
Desastre para ficar na história
Dano incalculável
Mais um dia no Golfo
Mãos lavadas em óleo
Lucros, falta de transparência e muito óleo
Não dá para ver, mas está lá
Um mês depois, pouco foi feito
Um peso, duas medidas
Chorando sobre óleo derramado
Este lugar está com sérios problemas