Na contramão climática

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Notícia - 9 - nov - 2017
Na mesma semana que a delegação brasileira discute a implementação do Acordo de Paris na COP23, o governo anuncia medida que concede subsídios ao setor de petróleo em até R$ 1 trilhão

As políticas domésticas de retrocesso, especialmente na área socioambiental, adotadas pelo governo brasileiro já colocam em cheque posições e acordos assumidos pelo país nas questões climáticas. Redução de Unidades de Conservação, anistia a grilagem e flexibilização do Código Florestal são alguns dos assuntos debatidos entre diversas delegações na COP23, uma vez que atacam o meio ambiente e vão na direção oposta do que está sendo construído dentro do Acordo de Paris para reverter as mudanças climáticas e diminuir as emissões do mundo.   

Infelizmente, os retrocessos em termos de emissões de gases de efeito estufa não se limitam apenas ao setor de agricultura e floresta. Na mesma semana que a delegação brasileira discute a implementação do Acordo de Paris, com papel de liderança nesse sentido, o governo anuncia medida provisório que concede subsídios ao setor de petróleo em até R$ 1 trilhão.

Em Bonn discute-se como fazer a transição energética para as energias renováveis. Representantes dos países do G20 afirmam que essa transição é natural, até mesmo em termos de investimentos e retornos de lucratividade dos países. Já o governo brasileiro anuncia o investimento de dinheiro público em algo que não trará benefício social algum quando levamos em conta as perdas que o Estado brasileiro terá em decorrência das mudanças climáticas.

Em vez de prosseguir com seu papel de liderança nos acordos climáticos, com posições históricas a favor de renováveis (apesar de grandes centrais hidrelétricas não serem uma boas opção) e contra mecanismos de mercado para florestas, a delegação brasileira em Bonn corre o risco de sair da COP23 com o prêmio “Fossil of the Day”. A premiação, organizada pelo grupo de organizações CAN (Climate Action Network), é concedida ao país que sinaliza escolhas energéticas sujas, contrárias ao que precisamos para combater o aquecimento global.

Os que os representantes brasileiros precisam fazer enquanto as negociações acontecem na COP23 é mandar o recado certo para mostrar a intenção de diminuir o aquecimento global. Investimentos em energia solar – área na qual nosso governo ainda engatinha –, e a continuidade da posição histórica da diplomacia brasileira contra a venda de florestas para compensação de carbono são os caminhos certos.

Assine a petição da 350.org contra energias fósseis.

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