No meio da fumaça

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Notícia - 23 - ago - 2010
Greenpeace sobrevoa e registra queimadas na Amazônia, que não poupam nem áreas protegidas. Fogo tem avançado de fronteira agropecuária para floresta.

Nuvem de fumaça encobre área que um dia já foi floresta. Nessa época, o fogo se alastra pela Amazônia. © Greenpeace/Rodrigo Baleia

“As condições de voo são precárias. A visibilidade está muito reduzida e é difícil controlar o avião”, avisava o piloto pelo rádio, na última quinta-feira. Sobrevoando a Floresta Nacional do Jamanxim, área protegida por lei no Pará, uma equipe do Greenpeace constatou o que os satélites já diziam: o local era pura fumaça. Há pelo menos um mês entre as dez unidades de conservação que mais queimam, a Flona do Jamanxim é uma faísca do que está acontecendo pela Amazônia nessa época.

Não é novidade. Quando os meses de junho e julho batem à porta, a chuva dá uma trégua e a temporada da seca chega à floresta tropical brasileira. É quando os produtores rurais aproveitam para “limpar” seus terrenos e renovar o cultivo, seja de agricultura ou pasto para a pecuária. Jeito antigo e barato de fazer o trabalho, o fogo ainda permanece como prática extremamente comum na região. Daí para as chamas avançarem sobre as cercas das fazendas e adentrarem a floresta é um pulo.

Foi justamente isso que o Greenpeace documentou. Em quatro dias de sobrevoos, a equipe cruzou o Pará de cima a baixo e foi do Norte a Oeste de Mato Grosso. Passando por muitas áreas embaçadas pela fumaça, foi difícil registrar as queimadas. Mas foi fácil perceber a associação entre fogo e áreas de expansão da agropecuária. Cruzando dados do Prodes (Pograma de Cálculo do Deflorestamento da Amazônia) com os locais dos focos, é fácil perceber que, geralmente, o fogo começa na fronteira entre floresta e campo.

“Encontramos grandes focos. Na região da BR-163, o fogo começou no pasto e já atingiu a floresta. E a mesma coisa acontece no Norte de Mato Grosso”, conta Paulo Adario, diretor da Campanha da Amazônia do Greenpeace. “Isso é trágico , porque além de afetar a saúde da população, as queimadas são, junto com o desmatamento, a principal contribuição que o Brasil dá para as mudanças climáticas. É preciso parar isso”.

Vem mais pela frente

Em tempos de mudanças no clima e acordos internacionais, a necessidade de frear as queimadas é latente: somadas às derrubadas, elas jogam na atmosfera 75% das emissões de gases estufa que o Brasil produz. Mas a tendência é que a curva de focos de calor só faça aumentar nos próximos meses. Além de ser um ano eleitoral, quando historicamente as autoridades fazem vista grossa para o problema, dessa vez, a seca está castigando.

A umidade relativa do ar este ano está baixíssima em algumas regiões da Amazônia. A taxa, que normalmente bate os 80%, já está em 15% no Sul do Amazonas e no Norte do Mato Grosso, por exemplo. O número está abaixo do que se encontra hoje São Paulo e Minas Gerais, ambos em torno dos 25%.

Esse cenário é propício para que o fogo se alastre. E as conseqüências já estão aí. As principais cidades amazônicas, como Manaus, Cuiabá e Porto Velho, têm passado os dias sob uma densa nuvem de fumaça. Os aeroportos abrem e fecham, a economia é afetada e a população bota fuligem para dentro dos pulmões. “Tudo isso que está acontecendo não ajuda os fazendeiros, não ajuda os nossos pulmões”, afirma Paulo Adario. “E, seguramente, não ajuda o clima do planeta”.

Para ver uma galeria de fotos feitas durante os sobrevoos, clique aqui.

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Érika

Érika says:

Cara, o que nao faz uma pequena economia de dinheiro nao e?
O que eles tao pensando? Eles correm o risco de prejudicar a sua propria fazenda tambem se o fogo se espalhar.
E isso o que da nao ter investimento naquela area.
E preciso monitorar e aplicar multas nos fazendeiros proximos ao local ou alguma outra medida(reconheco que a ideia da multa nao foi muito boa) mas tem que se fazer alguma coisa!

Enviado 6 - set - 2010 às 11:56 Denunciar abuso

Érika

Érika says:

Cara, o que nao faz uma pequena economia de dinheiro nao e?
O que eles tao pensando? Eles correm o risco de prejudicar a sua propria fazenda tambem se o fogo se espalhar.
E isso o que da nao ter investimento naquela area.
E preciso monitorar e aplicar multas nos fazendeiros proximos ao local ou alguma outra medida(reconheco que a ideia da multa nao foi muito boa) mas tem que se fazer alguma coisa!

Enviado 6 - set - 2010 às 11:56 Denunciar abuso

mard.sena

mard.sena says:

No Estado do Ceará, apesar de algumas iniciativas preventivas de pessoas e instituições comprometidas com o meio ambiente, e de setores governamentais, focos de incêndio tem sido coibidos. O nivel de umidade tem estado muito baixo e a degradação que assola não apenas o Estado, mas outros recantos, tem tirado o nosso sono com a "cortina de fumaça" bem expressa nesse site.
Até quando teremos estruturas e outras mentes e práticas para entender que o fogo é crime?!

Enviado 27 - ago - 2010 às 9:54 Denunciar abuso

Lyzz

Lyzz says:

Sou Rondoniense e nunca havia visto tantas queimadas em nosso estado, e hj chego a quase ter certeza que os grandes fazendeiros estão agindo propositalmente fazendo queimadas, visto que a poucos meses atras foi aprovado na Assembleia Legislativa-Ro, o aumento da area a ser desmatada. Gostaria que esta Ong verificasse essas informaçoes. Obrigada.

Enviado 24 - ago - 2010 às 14:03 Denunciar abuso

cadeoceu

cadeoceu says:

Em Porto Velho, RO a fumaça nao para de esconder a cidade. Ha dias nao temos ar puro para respirar. Atear fogo em qualquer naco de terra e' uma ação comum 'as pessoas daqui e ninguem esta' preocupado com as consequencias. Todo mundo ve tudo e todo mundo sabe de tudo. O que fazer para colaborar? Ja nao abro mais as janelas e cortinas da minha casa. Nao ha nada de bom para ver. Os passaros choram, seus filhotes morrem, o planeta some, num pais onde tudo o que se planta da...

Enviado 23 - ago - 2010 às 11:04 Denunciar abuso

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