Nova Zelândia faz história ao banir a exploração de petróleo e gás em seus mares

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Notícia - 12 - abr - 2018
Enquanto isso, Brasil patina nas políticas de proteção de seus ecossistemas marinhos ameaçados pelo petróleo, como os Corais da Amazônia

Na manhã desta quinta-feira (12), o governo da Nova Zelândia anunciou que não irá mais permitir a exploração de petróleo e gás em seus mares. A medida representa uma vitória histórica para o clima do planeta e para a sociedade civil, que há sete anos tem se posicionado com veemência contra a atividade.

Avista protesta contra testes sísmicos em área habitada por baleias-azuis, na Nova Zelândia, em 2017

O governo neozelandês colocou uma área marinha de pelos menos 4 milhões de km2 fora dos limites de qualquer nova exploração de combustíveis fósseis. O anúncio foi um balde de água fria para as petrolíferas que depositaram suas esperanças em encontrar petróleo na costa neozelandesa no futuro. Assim como no Brasil, elas vinham ao longo da última década realizando pesquisas sísmicas e perfurações exploratórias nos mares profundos desse país, ameaçando a vida marinha da região. A diferença para nós é que lá, o país priorizou o interesse público.

Ativistas interceptam navio que realiza testes sísmicos

“A Nova Zelândia deu um passo histórico e possibilitou um grande avanço em favor do clima. Continuaremos a exigir o fim completo da exploração de combustíveis fósseis, seja em terra ou no mar, assim como a revogação de licenças existentes. Mas para todas as pessoas que estão há anos apoiando esta campanha, que é uma das mais antigas do Greenpeace Nova Zelândia, a proibição de novas licenças é um momento de grande satisfação”, disse o diretor executivo do Greenpeace Nova Zelândia, Dr. Russel Norman.

Tudo começou com...a Petrobrás

A campanha contra a exploração de petróleo na costa da Nova Zelândia, uma grande ilha no Oceano Pacífico que faz parte da Oceania, começou justamente quando a brasileira Petrobrás iniciou pesquisas em busca de petróleo nas águas sagradas do povo maori Te Whãnau-ã-Apanui, em abril de 2011. Em resposta a isso, o Greenpeace Nova Zelândia realizou um bloqueio dos navios da companhia, que durou 42 dias e representou o início de um grande levante popular contra a exploração de petróleo no país. Em março deste ano, a primeira-ministra Jacinda Ardern aceitou pessoalmente uma petição do Greenpeace, assinada por 50 mil neozelandeses.

Com botes infláveis, ativistas do Greenpeace confrontam a embarcação contratada pela Petrobrás para realizar testes sísmicos para exploração de petróleo na costa de East Cape

A Nova Zelândia está entre os primeiros países do mundo a fazer movimentos significativos em direção a uma proibição permanente da exploração de petróleo. Nos últimos anos, a oposição pública ao petróleo tornou-se um movimento global, com campanhas notáveis ​​contra a exploração de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás natural.

Marcha contra exploração de petróleo reuniu milhares de pessoas em Auckland, em março de 2015

No Brasil, desde o ano passado, o Greenpeace vem exigindo que as empresas Total e BP abandonem seus planos de explorar petróleo na costa do Amapá, próximo dos Corais da Amazônia, um ecossistema único no mundo. Já temos o apoio de cientistas, ambientalistas e da sociedade civil – já são quase 2 milhões de pessoas que assinaram a petição pela defesa dos Corais da Amazônia.

Mas em terras brasileiras, grupos econômicos vêm pressionando para que as empresas internacionais sigam com seus planos. Infelizmente, estão amparados por um dos piores momentos políticos do país para a defesa do meio ambiente, e isso pode colocar em risco um patrimônio do Brasil e do mundo.

“O mundo está enviando uma mensagem clara. A suposição de que iríamos querer mais e mais petróleo, e que a indústria do petróleo precisaria explorar novas fronteiras cada vez mais remotas para suprir essa demanda foi fatalmente falha. A proibição da Nova Zelândia deve servir de alerta para as petrolíferas e de inspiração para outros países, como o Brasil”, afirma Thiago Almeida, especialista de Energia do Greenpeace Brasil.

Ativistas simulam vazamento de óleo em frente ao escritório da Total, no Rio de Janeiro, em protesto contra os planos da empresa de explorar petróleo na foz do rio Amazonas, em setembro de 2017

Esperamos que, à exemplo de outros países, o Brasil também venha a decretar, o quanto antes, o fim da era do petróleo em seus mares. “Agora, o desafio para a indústria e o governo é o de fazer a transição justa para um futuro de energia limpa, que pode gerar empregos e um grande impulso para as economias”, finaliza Norman.

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