
Greenpeace cobrou dos candidatos suas propostas para a proteção do ambiente.
No dia 14 de outubro, o Greenpeace lançou uma campanha para o do 2º turno das eleições presidenciais. A proposta era pressionar José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) a assinarem um compromisso em favor do desmatamento zero e da aprovação, no Congresso, da Lei de Energias Renováveis. Também pedia que, ao longo do processo eleitoral, os dois debatessem suas visões sobre a relação entre desenvolvimento e conservação da biodiversidade e dos recursos naturais.
A campanha do Greenpeace acaba à meia-noite de hoje, 29 de outubro, dia do último debate entre os candidatos antes da eleições e nessas curtas duas semanas, ela alcançou boa parte de seus objetivos. Nossa petição, feita em parceria com a Avaaz, e dirigida aos candidatos pedindo que ambos se comprometessem com o desmatamento zero e a Lei de Renováveis, teve quase 70 mil assinaturas.
Ao mesmo tempo, muitos dos 138 mil seguidores do Greenpeace no Twitter seguiam fazendo barulho, perguntando se os candidatos assinariam o compromisso e sobre a ausência do tema ambiental no debate eleitoral. Também fomos à luta para levar diretamente à Dilma e Serra o pedido para que ambos assinassem o compromisso pelo desmatamento zero e as Energias Renováveis. Não dava para ser de outro jeito.
Tanto um candidato quanto o outro tentavam atrair os 20 milhões de eleitores que tinham dado seu voto no 1º turno à Marina Silva, antiga padroeira de causas ambientais na política nacional, e o tema, entre as promessas habituais de lado a lado de fazer o Brasil mais rico e mais feliz, começou a aparecer nos seus discursos. Mas em tom errático.
Ao mesmo tempo em que Dilma e Serra prometiam vetar a anistia aos desmatadores que faz parte do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) propondo mudancas no Código Florestal, falavam em plantar grandes obras de infraestrutura na Amazônia. O Greenpeace decidiu que era hora de ver se a súbita conversão dos dois em verdes era mais do que trolóló eleitoral. Dilma recebeu nossa visita surpresa na quarta-feira, 20 de outubro, em evento que aconteceu em Brasília.
Com Serra, o encontro aconteceu no dia seguinte, quando participava de uma carreata em Ponta Grossa, no Paraná. Nenhum dos dois quis assinar o compromisso. Fomos chamados de petistas pelos tucanos. Os tucanos nos acusaram de apoiar a candidatura petista. Melhor assim. As reações de lado a lado reiteraram nosso apartidarismo. Afinal, não fomos à capital e ao interior do Paraná para prestar solidariedade a candidato. Apenas ao meio ambiente.
Um gaiato poderia muito bem dizer que 70 mil pessoas assinando uma petição têm pouca influência eleitoral. Prova disso é que sua pressão sequer fez com que os dois candidatos assinassem o compromisso pelo desmatamento zero e a Lei de Renováveis. Pode ser. Mas o Greenpeace nunca quis influenciar a eleição. Apenas colocar a questão ambiental na pauta dos candidatos. Isso, essa gente que embarcou na canoa do Greenpeace aproveitando a onda criada pela votação de Marina, conseguiu.
Mesmo que nenhum candidato tenha assinado o compromisso, ambos disseram que eram a favor do desmatamento zero. Dilma, num comício em Belo Horizonte. Serra, no debate da Record. Nesta sexta, 29 de outubro, o Greenpeace protocolou pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que os pronunciamentos de ambos pelo desmatamento zero fossem incluídos em seus respectivos programas de governo registrados no próprio tribunal.
A pressão quebrou um tabu histórico. Foi a primeira vez que o tema ambiente figurou com razoável destaque na campanha eleitoral. Ainda que menos do que ideal, mas com força suficiente para mostrar aos candidatos que seja quem sair vencedor do pleito terá de prestar contas à sociedade sobre seus posicionamentos ambientais – e será cobrado por isso.
Aos que entraram nessa refrega conosco, o Greenpeace dedica sua mais profunda admiração e reconhecimento pela disposição em empurrar para o palco eleitoral um assunto que nossos políticos teimam em deixar em segundo plano, esquecendo-se que ele é fundamental para definir o futuro desse país.