O Código Florestal e o Brasil

6 comentários
Notícia - 27 - abr - 2011
O que o Greenpeace pensa sobre a reforma do Código Florestal em curso no Congresso e como ela pode ser aprimorada.

O Código Florestal, publicado originalmente em 1934, sofreu modificações ao longo dos anos, mas sempre manteve como ponto central a proteção do patrimônio ambiental brasileiro. 

Esse patrimônio é bem mais que um monte de árvores e bichos. Nossa biodiversidade cumpre uma função econômica relevante. É ela que em última análise garante a abundância da água e a riqueza dos nossos solos, responsáveis por transformar o Brasil em um dos maiores produtores mundiais de alimentos. Destruir as florestas é, portanto, colocar em risco a economia. 

O texto em discussão no Congresso atualmente abre brechas na legislação aumentar o desmatamento, prejudicando nossas perpectivas futuras de prosperidade. O Brasil não precisa desmatar para produzir mais; tem condições econômicas e tecnológicas para alimentar os brasileiros – e o mundo – preservando também seu maior bem para as futuras gerações: a natureza. Agora é a hora de transformar o cenário em realidade. O Brasil tem tudo para ensinar aos outros países como se desenvolver sem destruir as florestas.

O Greenpeace acompanha os ataques ruralistas ao Código Florestal há anos. É natural que as leis sejam revistas de tempos em tempos, mas não de maneira torta. Uma lei não pode se adaptar aos interesses de um único grupo, nem anistiar de forma irresponsável crimes do passado: a anistia é a premiação do crime – e a indicação que o desrespeito vale a pena no Brasil. 

Com o conhecimento acumulado em uma década de atuação na Amazônia e em campanhas que envolvem o agronegócio brasileiro, propomos cinco pontos a serem contemplados no texto em discussão: 

  • Manutenção dos atuais índices de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente, mas permitindo e apoiando o uso agroflorestal dessas áreas pelo agricultor familiar;
  • Obrigação da recuperação de todo o passivo ambiental presente nas Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, não aceitando a anistia aos desmatadores, mas apoiando economicamente aqueles que adquiriram áreas com passivos para que recuperem essas áreas;
  • Desmatamento Zero em todos os biomas brasileiros, com exceção dos casos de interesse social e utilidade pública, consolidando a atual tendência na Amazônia e bloqueando a destruição que avança a passos largos no Cerrado e na Caatinga;
  • Tratamento diferenciado para a agricultura familiar (segundo a lei 11.326/2006), incluindo os agricultores da Amazônia, de várzea ou terra firme, que têm no equilíbrio ambiental um dos pilares da sua sobrevivência na terra, com apoio técnico público para recuperar suas áreas e gratuidade de registros;
  • Criação de políticas públicas consistentes que garantam a recuperação produtiva das áreas protegidas pelo Código Florestal, com a garantia de assistência técnica qualificada, fomento e crédito para implantação de sistemas agroflorestais, garantia de preços para produtos florestais e pagamentos de serviços ambientais. 

Além disso, agricultores familiares poderiam somar suas áreas de preservação permanente e de reserva legal e, no caso do passivo, ele poderia ser calculado de acordo com a versão do Código Florestal que valia na época do desmatamento.

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gisele

gisele says:

O cerrado está sendo utilizado para plantação de soja.

Enviado 8 - set - 2011 às 23:22 Denunciar abuso

leomackenzie

leomackenzie says:

Boa noite à todos (as) que comentam, acompanham o assunto e especialmente ao Greenpeace.
Estou cursando Tecnologia em Gestão Ambiental na Unopar - Universidade Norte do Paraná, Pólo Petrolina - Pernambuco. Sabendo que o Código de 1965 demanda uma reforma, por causa de algumas lacunas e inaplicabilidades, tenho a seguinte contribuição:

A referida proposta de reforma do Código Florestal Brasileiro, do Deputado Rebelo, beneficia apenas os agricultores e pecuaristas, descartando características conservadoras e protecionistas contidas na atual Lei nº. 4771/65; contribui com o crescimento de um dos maiores problemas do país – o desmatamento, desaforando todos os ambientalistas; e desconsidera a opinião de renomadas entidades científicas, desconhecendo inclusive a opinião social – os eleitores. Diante das atuais circunstâncias, essa reforma faz conquistas ambientais retrocederem e perderem credibilidade.

Eu não vou citar as tantas contradições e pegadinhas que o tornam inconstitucional (ferindo cinco artigos e também a lei de crimes ambientais) em respeito ao WWF e ao próprio Greenpeace, que já as citaram. A proposta dá incentivo aos estados e municípios, para que eles possam legislar paralelamente à lei nacional sobre suas florestas, como assegurado no Art. 24º da Constituição Federal, como por exemplo, Santa Catarina; leis estaduais não podem atenuar ou retroceder as nacionais. Eles estão tratando o PL nº. 1876/99 (e apensos) como se fosse a única possibilidade, usando o mentiroso artifício econômico de que "se não aprovado, a produção de grãos diminuirá"; gráficos da Conab mostram que a produção aumenta ano a ano em relação a área plantada.

Eu tenho a solução que contempla os mais diversos setores, agrupei-as em meu Portfólio individual que estou enviando amanhã, dia 19 de maio à Unopar; quero constar aqui a minha ação - sugeri à mesma, com sede em Londrina-PR, que o tornasse projeto da instituição após a correção e lançamento do meu conceito. Tenho certeza de que os Deputados, Paulo Teixeira do PT-SP, Ivan Valente do PSOL-SP e Sarney Filho do PV-MA gostarão desse projeto. Agradeço a oportunidade de expressão e acerca desse parágrafo, devido sua urgência, deixo-o aberto às ONGs ambientais, fazendo muito gosto que me contatem no e-mail [ ] Obrigado!

Enviado 18 - mai - 2011 às 22:06 Denunciar abuso

Anderson

Anderson says:

É inacreditável como um absurdo desses ainda pode estar em cogitação! A manutenção do Código Florestal é interessante sim, porém, com o intuito de proteger cada vez mais nosso patrimônio natural. É revoltante não termos poder para legislar em prol de algo que seja relevante e positivo para TODOS e não apenas para um pequeno grupo de agroprodutores que interessam-se não no progresso, mas sim na obtenção sempre exacerbada de lucros. Apóio todo e qualquer tipo de protesto do Greenpeace em relação a isso, pois necessitamos urgentemente de voz para calar indivíduos que mais e mais querem fazer valer o egoísmo de uma minoria beneficiária. Vamos divulgar galera!

Enviado 11 - mai - 2011 às 12:27 Denunciar abuso

Hilda

Hilda says:


Deveriamos parar esse país por muitos motivos, mas falta lideres para que isso aconteça.
O país está dormindo, não há liderença estudantil, liderença nos partidos, nos Sindicatos,.......

A floresta está desaparecendo num ritmo absurdo.
As Usinas atomicas se instalando quando a tendencia seria parar, a Criminalidade aumentando e a população presa quando os Bandidos estão soltos, a Saude publica cada vez pior, .......

Temos mil motivos para parar esse país, mas quem começa alguma coisa?
Quem sai as ruas para protestar?

Temos mil motivos para isso, mas...... o povo brasileiro está dormindo, dorme em berço explendido até que se acabe tudo!!!!!

Enviado 5 - mai - 2011 às 19:20 Denunciar abuso

rodolforn

rodolforn says:

é um absurdo mudar este código para pior!!! vamos parar o transito de todas as capitais e mostrar como estamos indignados!!!

Enviado 2 - mai - 2011 às 15:48 Denunciar abuso

Marcelo Vitor

Marcelo Vitor says:

É deprimente ver imagens da civilização avançando frenéticamente e insanamente pra cima do Cerrado.

Enviado 29 - abr - 2011 às 13:00 Denunciar abuso

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