Os guerreiros do Arco-Íris

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Notícia - 15 - set - 2011
Quatro dos ativistas que participaram não só da primeira atividade do Greenpeace rumo à Amchitka, no Ártico, mas também de outras importantes ações tiveram um papel especial na formação da organização. Foram eles que pensaram e articularam a missão que mais tarde ficaria conhecida como a viagem pela paz e pela vida.

Acompanhe a seguir o perfil dos guerreiros do Arco-Íris e descubra como eles mudaram a forma de o planeta enxergar a proteção do meio ambiente.

Bob Hunter, ao leme do Phyllis Cormack, com Ben Metcalfe, a caminho para Amchitka. 09/01/1971 © Greenpeace / Robert Keziere

BOB HUNTER
1941–2005

Um Implacável visionário um místico contador de histórias – o jornalista canadense Bob Hunter contagiou o jovem Greenpeace com uma aura mágica que dura até os dias de hoje. Ele introduziu os Rainbow Warriors (guerreiros do arco-íris, em português), insistiu que a mídia era a chave do sucesso e impôs uma crença acima de todas: nada é impossível.

Mantenha a fé

Em 1976 Bob Hunter convocou a tripulação do barco James Bay por meio de um boletim datilografado que dizia: “Possibilidades de situações inerentes de campo: sem limite. Quero dizer: absolutamente sem limite”. O destino do barco era confrontar caçadores de baleia – algo que ninguém havia feito antes. As palavras de Hunter, repletas de paixão e humor, refletiu brilhantemente o que o canadense barbudo e de cabelos longos trouxe para a organziação que ele fundou junto com outras pessoas apenas alguns anos antes. Para Hunter, os limites não contavam. O que contava era manter a fé, “mesmo quando você se depara cara a cara com os mais absurdos horrores ecológicos do século”. Desde o dia em que o Greenpeace navegou pela primeira vez em uma zona de teste nuclear em 1971, Hunter forçou aqueles que estavam ao seu redor a pensar grande – e assim caminhar um passo a frente.

Ativismo ambiental

Nos anos que se seguiram, o jornalista que participou da expedição a partir de Vancouver, responsável por florescer a cena da contra-cultura, continuou a inspirar um desafiador – e desconhecido – tipo de ativismo ambiental. Hunter se colocou entre os arpões russos e as baleias. Ele pintou os casacos brancos feitos com filhotes de foca para fazer com que eles perdessem o valor comercial. Inúmeras vezes Hunter se colocou no caminho do que ele acreditava ser errado do ponto de vista ambiental.

Combinando criatividade com pensamentos estratégicos e um bom faro jornalístico do que de fato é notícia, Hunter ajudou a dar forma – talvez como nenhum outro membro-fundador – ao que seria conhecido, ao redor do mundo, como uma “ação” do Greenpeace.

Mensagem transformadora

Qualquer que fosse a nova atividade que o jovem Greenpeace se envolvesse, não havia dúvida de que a imprensa faria parte da equação. Fascinado pela teoria da mídia, Hunter estava empenhado em mudar o mundo com o que ele chamava de “mensagem transformadora” – sons e imagens que poderiam se espalhar pelo mundo no rastro da mídia.

“Começamos a perceber que isto é uma guerra midiática”, ele escreveu mais tarde. Uma coluna no jornal Vancouver Sun permitiu que ele falasse sobre meio ambiente (algo que não muitso jornais fizeram na época) mas com o Greenpeace, ele estava finalmente habilitado a enviar sua mensagem a pessoas que ele não podia alcançar de outras formas. Com isso, ele alegremente se tornou um “traidor da minha profissão” – e ele pagou a conta. A abordagem funcionou brilhantemente. Greenpeace rapidamente foi adotado pela mídia em todo o mundo.

Guerreiros do arco-íris

Hunter, que secretamente rascunhou romances em vez de fazer o trabalho de escola quando estudante, ele era também um místico contador de estórias. Interminavelmente fascinado pela filosofia espiritual do nativo americano e por ficção científica, ele contou estórias de “místicos e mecânicos” que poderiam preencher tardes inteiras. Uma das estórias chegou a dar o nome de um barco, e ficou com o Greenpeace para sempre. É o mito dos índios Cree, que descreve os “guerreiros do arco-íris” – uma tribo legendária de espíritos que resgatariam a natureza quando a Terra ficasse doente. A estória envolvia um cigano e um livro que Hunter alegou ter saltado em suas mãos, literalmente, durante a primeira viagem do Greenpeace. Ao longo dos anos Hunter embelezou o mágico e mitológico conto em uma peça de inspiração.

Primeiro presidente

Hunter se tornou o primeiro presidente da Fundação Greenpeace em 1973 e ocupou o posto até 1977. Ele continuou a contribuir para a organização, que tinha começado a expandir ao redor do mundo, como um consultor e orador eventual. O jornalista, escritor e ativista que possui a filiação do Greenpeace número 0 era um bravo, audacioso e implacável colaborador para o espírito de coragem e desafio que continua a definir Greenpeace até os dias de hoje. A organização que ele ajudou a fundar e a dar forma será sempre abençoada pelo seu espírito. Bob Hunter lutou bravamente contra um câncer de próstata mas veio a falecer aos 63 anos no dia 2 de maio de 2005.

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Drisouza says:

Bravo Bob Hunter, que seu espírito sempre guie os passos de seus seguidores, e abençoe a ONG que o imortalizou.

Enviado 19 - mai - 2012 às 18:50 Denunciar abuso Reply

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